O Brasil está ganhando mais espaço na operação global da Zoho, multinacional de tecnologia para empresas. Em cinco anos, o país saiu da 15ª posição entre os mercados da companhia para chegar ao terceiro lugar em crescimento de receita. Agora, a operação brasileira quer avançar mais uma casa.
A Zoho fechou o primeiro semestre de 2026 com crescimento de 31,4% em receita no Brasil, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado fez o país se tornar o terceiro mercado que mais cresceu para a companhia no período. Em novas receitas provenientes da entrada de usuários, porém, o Brasil ficou na oitava posição global.
A evolução já coloca o Brasil atrás apenas da Índia e dos Estados Unidos entre os principais mercados da companhia, segundo Rodrigo Vaca, CEO da Zoho no país. Em entrevista ao Startups, ele conta que vê espaço para ultrapassar os norte-americanos.
A conquista seria bastante relevante, especialmente considerando que a sede global da Zoho é em Austin, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Fundada em 1996 na Índia pelo bilionário Sridhar Vembu, a Zoho possui filiais em diversas regiões do mundo, como Ásia, Europa, América do Norte e América Latina.
“Minha meta é chegar, no curto ou médio prazo, ao segundo lugar. Chegar ao número 1 é um pouco difícil porque a Zoho é indiana, então nosso maior mercado é a Índia, onde existem 1,4 bilhão de pessoas. É um pouco difícil concorrer com isso. Mas vamos tentar. Daqui a cinco ou sete anos, vamos ver como estaremos”, brinca o executivo, que é mexicano.
O México, inclusive, também é um dos principais mercados para a companhia, que já possui operações por lá há cerca de uma década. Segundo Rodrigo, o Brasil ultrapassou o México em receita no ano passado. “O mercado brasileiro tem uma população maior que a do México, mas a operação do México está estabelecida há mais tempo. Então é sempre uma métrica para mim, para saber se estamos crescendo de forma saudável: comparar em quais segmentos, estratégias, canais e mercados podemos ser melhores”, diz.
A estratégia da Zoho para crescer no Brasil passa por ampliar a presença em setores específicos, com soluções voltadas a necessidades de áreas como saúde, educação e serviços financeiros. A companhia também pretende avançar no setor público.
“Estamos abrindo portas com os governos em diferentes estados. A nível federal estamos esperando algumas oportunidades para ajudar o mercado brasileiro. Começamos no final do ano passado. Como você percebe, nós somos uma companhia indiana, então é um pouco desafiador entender como funciona o governo do Brasil e as vendas para o poder público. Porém, temos uma ótima rede de parceiros que está nos ajudando”, afirma Rodrigo.
No Brasil, a companhia tem entre 135 e 140 funcionários e conta com uma rede de mais de 100 parceiros. Aproximadamente metade das vendas é realizada por meio desses canais, que devem continuar sendo uma peça importante da estratégia de expansão.
Novos produtos
A inteligência artificial também tem ganhado mais espaço nos produtos da Zoho, como estratégia para impulsionar o uso das soluções da companhia no Brasil. Em setembro, a companhia lançou o Zia Chat, uma interface de IA que permite consultar informações e realizar tarefas em diferentes aplicações da Zoho sem precisar alternar entre os sistemas. A ferramenta também pode ser integrada a outras plataformas corporativas.
“Na Zoho também temos nossos próprios modelos, os Small Language Models, que são modelos treinados apenas para o contexto de que você precisa. O custo da inteligência artificial virou um tema de grande importância para as empresas, e essa é uma das vantagens desses modelos, além da eficiência”, aponta Rodrigo.
Ao mesmo tempo, a Zoho entrou no mercado de SaaS vertical, com soluções para sete setores: varejo, automotivo, serviços financeiros, saúde, educação, mercado imobiliário e restaurantes. A proposta é complementar as ferramentas já oferecidas pela empresa com produtos desenhados para os fluxos de trabalho e regras de cada indústria.
Entre os novos produtos estão o RetailIQ, para varejistas, o AutoDMS, voltado a concessionárias, o Zoho LOS, para processos de concessão de crédito, e o MedScribe, para documentação clínica. A companhia pretende ampliar essa oferta nos próximos anos.
Crescimento orgânico
Apesar da expansão, a Zoho não pretende acelerar o crescimento brasileiro por meio de aquisições. A companhia diz receber propostas regularmente, mas o M&A não está nos planos imediatos da operação no país.
A lógica da empresa é diferente da de companhias que usam aquisições para ganhar rapidamente clientes ou participação de mercado. Segundo o executivo, uma potencial compra precisa fazer sentido dentro do ecossistema da Zoho.
“Para nós não é apenas comprar uma empresa para dizer que adicionamos 10 mil clientes, porque isso fazemos sozinhos, mas como melhoramos a experiência para o cliente e como se integra tudo com a nossa plataforma”, diz.
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