Xiaomi foi a principal afetada pela dinâmica do mercado (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Xiaomi teve uma queda de 34% nas vendas no Brasil no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com a consultoria Counterpoint Research.
  • A queda da Xiaomi contrasta com o crescimento de 10% da Samsung e de 19% da Apple no mesmo período.
  • As vendas de smartphones no Brasil caíram 11% no primeiro semestre de 2026, com aparelhos de até US$ 249 representando 78% das remessas.

O mercado brasileiro de smartphones segue em queda neste ano, mas nenhuma das principais fabricantes sentiu o impacto com tanta força quanto a Xiaomi. As remessas da empresa no país caíram 34% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da consultoria Counterpoint Research.

Mesmo com a retração, a Xiaomi manteve a terceira posição entre as fabricantes que mais enviaram celulares às lojas do país. O desempenho, porém, contrasta com o de Samsung e Apple, que conseguiram aumentar seus volumes no período. No total, as remessas de smartphones recuaram 11% no primeiro semestre.

A crise na cadeia global de componentes, em especial no mercado de chips de memória, pressiona especialmente marcas e linhas que miram o custo-benefício, pois trabalham com margens de lucro muito menores e são mais vulneráveis aos reajustes.

Imagem mostra dois gráficos em círculo, que exibem a participação das vendas de cada marca de celular, com a respectiva porcentagem
Gráfico mostra participação das marcas no mercado brasileiro (imagem: reprodução)

Chinesas perdem volume de vendas

A queda de 34% coloca a Xiaomi como a fabricante mais afetada pela desaceleração do mercado brasileiro, como resultado dos maiores custos e dificultades de abastecimento que atingem a indústria de celulares.

A Infinix, que aparece na quinta posição, é outra asiática afetada negativamente: a queda chega a 24% em relação ao ano anterior. A empresa é do mesmo grupo da Tecno e Itel, que também operam no Brasil.

Segundo a consultoria, o crescimento de outras chinesas como Honor, Oppo e Realme, além da Jovi, marca da Vivo Mobile, têm gerado maior competição nos segmentos ocupados pela Xiaomi.

Essas empresas têm apostado em produção ou montagem local, promoções e parcerias para reduzir custos e ganhar espaço. Ainda assim, a participação combinada delas caiu de 26% no primeiro semestre de 2025 para 20% no mesmo período de 2026.

Fabricantes tradicionais conseguem crescer

Enquanto as chinesas perdem espaço entre os brasileiros, marcas tradicionais voltaram a ganhar tração. Samsung e Motorola mantiveram uma posição dominante, respondendo por 73% das remessas no primeiro semestre.

A sul-coreana, mesmo com prejuízo na divisão de celulares, registrou crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025 e teve como destaque o Galaxy A07 4G, que, sozinho, representa 8,3% das remessas no semestre. A maior parte dos smartphones vendidos por aqui continua concentrada A Motorola teve um crescimento mais tímido, de 1% frente ao primeiro semestre do ano passado.

A Apple foi outra fabricante a avançar por aqui nos últimos meses. As remessas da empresa cresceram 19% na comparação anual, enquanto a participação aumentou de 6% para 7%, empatando com a Xiaomi.

Celulares baratos dominam vendas

O relatório destaca que a maior parte dos smartphones vendidos no Brasil continua sendo das faixas de preço mais baixas. Aparelhos de até US$ 249 (cerca de R$ 1.250) representaram 78% das remessas, mas, ao mesmo tempo, os aparelhos abaixo de US$ 99 (R$ 550) perderam espaço.

Segundo Tina Lu, analista da consultoria, a mudança ocorre por consumidores dispostos a pagar mais por especificações melhores e maior oferta de modelos nessa faixa de preço.

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