Wellhub | Foto: Shutterstock

Já se passou pouco mais de um ano desde que o Wellhub resolveu se arriscar na seara dos produtos financeiros ao anunciar um FIDC para liberar crédito a academias parceiras. Agora chegou a vez de repetir a dose, e o fundo foi ampliado com mais R$ 100 milhões.

Segundo o Wellhub, o aporte é resultado da boa experiência na primeira leva de investimentos, que contemplou mais de mil estabelecimentos da rede da companhia no Brasil. Para Daniel Mazini, líder de parcerias globais da companhia, o primeiro investimento validou a tese de que existia uma grande demanda por soluções modeladas para a realidade do setor.

“Academias e estúdios querem crescer, melhorar suas estruturas, adquirir equipamentos mais modernos, abrir novas unidades e atender cada vez mais pessoas, mas o acesso a capital a baixo custo ainda pode ser uma barreira para muitos desses negócios”, afirma Daniel. “Ao disponibilizarmos R$ 100 milhões adicionais, queremos ampliar o acesso dos nossos parceiros aos recursos necessários para investir em seus negócios e capturar as oportunidades de crescimento do setor.”

Outro ponto trazido pelo executivo é que, por conta da alta demanda e da experiência adquirida no primeiro ciclo de empréstimos, o novo fundo já nasce com um terço da base de parceiros com linha de crédito pré-aprovada. “Isso foi um diferencial para viabilizar essa ampliação do fundo”, destaca, em conversa com o Startups.

A estrutura segue a mesma. O FIDC usa como lastro os recebíveis que o próprio parceiro gera dentro da plataforma, e as parcelas são descontadas direto dos repasses que o Wellhub faz pelos check-ins. Quem gere o fundo é a Galapagos Capital, com a QI Tech na administração, custódia e escrituração.

Os primeiros R$ 100 milhões

O ticket médio da primeira rodada ficou em torno de R$ 130 mil, com prazo de até 30 meses, e a maior parte foi para negócios de pequeno e médio porte. Para a nova rodada, o plano é seguir uma lógica semelhante em volume de repasses e número de estabelecimentos atendidos, na casa de mil.

Por outro lado, ao detalhar alguns dos cases, o executivo mostra que a cauda é bem mais longa do que a média sugere. Um parceiro da Bahia tomou cerca de R$ 180 mil para infraestrutura e equipamentos novos. No Pará, outro pegou R$ 200 mil para modernizar as instalações. Subindo a régua, um parceiro do Rio Grande do Sul acessou R$ 2,2 milhões para capital de giro e equipamentos, e uma operação na Grande São Paulo e Baixada Santista levou R$ 2,5 milhões para abrir novas unidades.

“No Rio de Janeiro, um crédito de R$ 5 milhões está sendo utilizado para viabilizar a expansão de três unidades e a conclusão de obras. Esses exemplos mostram como a solução consegue acompanhar diferentes momentos dos negócios, desde necessidades mais pontuais de investimento e de capital de giro até projetos de expansão de maior escala”, pontua.

Outro dado que o Wellhub faz questão de frisar é que quatro em cada cinco operações foram para academias que também trabalham com plataformas concorrentes. “Isso reforça que a iniciativa foi concebida como uma ferramenta de desenvolvimento do setor e da nossa rede de parceiros, de forma ampla, não para parceiros que trabalham somente com o Wellhub”, diz Daniel.

Daniel Mazini, do Wellhub | Foto: divulgação
Daniel Mazini, do Wellhub | Foto: divulgação

Perguntado sobre o impacto do crédito na operação das academias, Daniel é direto ao dizer que esse número não existe ainda. “Ainda não temos uma mensuração consolidada que permita atribuir ao crédito, isoladamente, indicadores como o número de novas unidades abertas ou o crescimento posterior da receita dos estabelecimentos.”

O que a empresa observa, por ora, é destino de recurso: o dinheiro está indo para investimento concreto em operação e expansão, não para tapar buraco. A mensuração de efeito, segundo ele, vem conforme a iniciativa amadurece.

Crédito, seguro e antecipação

A ampliação do fundo chega junto com uma mudança de escopo. Em agosto deste ano, um ano depois da primeira linha de crédito, o Wellhub anunciou dois produtos novos para a rede brasileira, e o portfólio passou a operar em três frentes.

A primeira é o crédito. A segunda são os Seguros, desenvolvidos pela Avla Seguros Brasil em parceria com o Wellhub, com coberturas de responsabilidade civil, danos ao patrimônio, roubo de equipamentos, eventos da natureza e lucros cessantes, além de assistência 24 horas. A contratação é digital e os planos começam em R$ 54,58 por mês.

A terceira é o Repasse Semanal, que é antecipação de recebível com outro nome: o parceiro elegível opta por receber semanalmente, em vez de esperar o ciclo mensal, aquilo que o Wellhub já lhe deve pelos check-ins. Pela antecipação, a companhia aplica um desconto sobre o valor repassado — percentual que não foi divulgado. “Nosso papel começa gerando novos usuários e receita para esses negócios, mas entendemos que podemos ir além do check-in”, resume Daniel.

Perguntado se essa guinada na parte de serviços financeiros pode se tornar uma operação interna no Wellhub, Daniel nega. “Nossa estratégia não é nos tornarmos uma instituição financeira. O que queremos é entender os desafios dos operadores do setor e usar o conhecimento e a relação que temos com mais de 45 mil parceiros no Brasil para construir soluções que os ajudem a crescer, trabalhando com instituições especializadas quando isso fizer sentido.”

Contudo, a experiência adquirida no Brasil deve virar produto em outros mercados onde o Wellhub atua. O Brasil, segundo Daniel, foi o ponto de partida justamente para desenvolver, testar e ganhar escala, e o modelo de concessão de crédito deve ser aplicado fora do país, podendo alcançar os mais de 110 mil parceiros da rede global — no Brasil são 45 mil. “Já estamos trabalhando para levar a solução de crédito a outros países e esperamos anunciar novidades nessa frente em breve”, diz o executivo.

O post Wellhub amplia FIDC em R$ 100M e libera mais crédito para parceiros apareceu primeiro em Startups.