Bruna Nacif, head da área de Products & Ventures do Grupo Visagio | Foto: Divulgação

A Visagio, consultoria de negócios e tecnologia, está estruturando uma nova vertical de venture building para transformar problemas em produtos e criar novas empresas. A iniciativa, batizada de VX, terá três frentes principais: hackathons, um programa de fellowship e parcerias pontuais com pessoas e startups que desenvolvam soluções alinhadas às teses do grupo.

A proposta é aproveitar a experiência acumulada pela Visagio em projetos de transformação empresarial, inteligência artificial e analytics para identificar oportunidades que possam dar origem a negócios independentes. A empresa também pretende se aproximar de empreendedores de fora de sua estrutura, conectando talentos e ideias à sua rede de clientes, ao conhecimento técnico e à experiência em execução.

“Temos o time técnico, a expertise técnica, o espírito empreendedor, o conhecimento de negócios e o canal de distribuição. A gente falou: por que não transformar isso em vários negócios, em vários spin-offs?”, conta Bruna Nacif, head da área de Products & Ventures do Grupo Visagio, em entrevista ao Startups.

O anúncio da VX foi feito durante o AI Salon, que aconteceu na última terça-feira (20), no Instituto 12, no Rio de Janeiro.

Segundo Bruna, a proximidade com grandes empresas permite à companhia acompanhar problemas operacionais e identificar demandas que podem ser atendidas por produtos escaláveis, em vez de soluções desenvolvidas exclusivamente para um cliente.

Um exemplo é a V360, empresa que surgiu dentro da Visagio a partir de uma oportunidade identificada em projetos de consultoria. A empresa atua como uma plataforma de automação fiscal com IA para empresas.

A estratégia não se limita, porém, a oportunidades identificadas internamente. A Visagio também quer encontrar empreendedores que já tenham teses próprias ou estejam trabalhando em problemas que o grupo considera relevantes.

Hackaton com inscrições abertas

O primeiro pilar será o Hackathon VX: AI for Business Problems, previsto para os dias 7 e 8 de novembro, no Rio de Janeiro. A proposta é reunir participantes para desenvolver, em dois dias, soluções de inteligência artificial para desafios reais de negócios. As inscrições ficam abertas até 25 de outubro.

Os desafios serão divulgados em 27 de outubro, após o encerramento das inscrições. Além de construir um produto que demonstre a viabilidade da ideia, as equipes deverão apresentar uma análise do problema e do mercado, identificando quem enfrenta aquela dor, quanto ela custa e por que existe uma oportunidade para resolvê-la agora.

O evento terá 50 vagas, com seleção baseada em portfólio, motivação e adequação ao perfil do hackathon. Embora o foco seja em profissionais com competências técnicas, a organização também busca pessoas de produto, design e negócios, capazes de estruturar o problema e apresentar a solução.

O evento distribuirá R$ 25 mil em prêmios: R$ 12 mil para o primeiro colocado, R$ 8 mil para o segundo e R$ 5 mil para o terceiro. Também estão previstos prêmios e créditos oferecidos por parceiros.

Foco no Rio de Janeiro

Embora tenha escritórios em diferentes regiões do país, a Visagio escolheu o Rio de Janeiro para iniciar a nova frente de venture building. A decisão tem relação com a história da companhia, que nasceu no Parque Tecnológico da Incubadora de Empresas COPPE/UFRJ.

“A gente vê muito valor de retornar para a sociedade também esse tipo de oportunidade. O Rio acaba sendo mais carente desse tipo de proximidade com as empresas, principalmente jovens empreendedores que às vezes não têm oportunidade ou os recursos para isso”, explica a executiva.

Além disso, ela destaca o potencial de talentos que o Rio produz, com instituições de ponta como a própria UFRJ, mas também a FGV, a PUC-Rio e o Impa Tech, entre outras.

“A gente liberou a inscrição pra qualquer lugar do Brasil, mas por ser presencial a ideia é que haja um volume maior de inscrições do Rio. Isso foi intencional, porque existe um pool de talentos que acabam muitas vezes saindo daqui e indo para outras cidades e estados”, afirma Bruna.

Visagio não descarta investir em startups

Por enquanto, a Visagio não pretende estruturar uma operação dedicada a investir em startups. No entanto, Bruna diz que a empresa não descarta a possibilidade de fazer investimentos pontuais.

O grupo já possui a V-Capital, gestora com atuação em private equity, que combina investimento e participação na execução de melhorias nas empresas do portfólio.

“A gente não quer se tornar um VC, mas a gente faria investimentos em teses que a gente acredita. O objetivo não é competir com o Y Combinator, nem com aceleradoras ou com o próprio venture capital. É muito mais se conectar com o público empreendedor”, observa a executiva.

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