Paulo Felipe Martins, CEO do Grupo Vela LatAm | Foto: divulgação

A Vela LatAm, braço de software da canadense Constellation na América Latina, anunciou a compra da Gestión en Tecnología e Información (GTI), empresa da Costa Rica especializada em software de faturamento eletrônico e meios de pagamento. O valor não foi divulgado.

A operação quebra um padrão. Das seis aquisições que a Vela LatAm colocou de pé neste ano, todas foram no Brasil. A GTI é a primeira fora do país em 2026 e abre um quarto mercado para a companhia, que até fevereiro somava 20 empresas brasileiras, duas colombianas e uma chilena.

O desenho do negócio segue o manual da Constellation, que compra software de nicho e não mexe no que encontra. A GTI mantém a marca, a estrutura de gestão e a autonomia operacional. Fundadores e time executivo continuam à frente da operação, e contratos, SLAs e canais de suporte permanecem como estão para os clientes.

“Nosso objetivo não é promover uma reestruturação, mas oferecer as ferramentas e a estabilidade necessárias para que a empresa continue crescendo de forma sustentável nas próximas décadas”, afirma Paulo Felipe Martins, CEO do Grupo Vela LatAm, em nota.

Do outro lado, o argumento é de acesso a estrutura. “Encontramos um parceiro que compartilha nossos valores e acredita no potencial da nossa equipe. O mais importante para os clientes é que nada muda no dia a dia”, diz Alejandro Montalvo, fundador da GTI.

A tese declarada da Vela LatAm é apoiar empresas de software com operação consolidada e potencial de crescimento, preservando o conhecimento de mercado de cada uma. Na prática, é o que explica a cadência de compras: em vez de integrar e consolidar, a holding amplia seu leque de soluções.

Software fiscal, de novo

A GTI reforça uma concentração setorial que marcou o ano. Das cinco aquisições brasileiras concluídas em 2026, três foram de empresas de nota fiscal eletrônica (Alfasig, Alpino Tecnologia e ERP Praeter, todas anunciadas em março, num único movimento de consolidação em software fiscal. A costarriquenha atua no mesmo nicho, agora sob outra legislação.

As outras duas compras no Brasil foram a Onegreen, de software de licenciamento ambiental, em fevereiro, integrada à divisão Ius Natura, e a Cobmais, de recuperação de crédito, em agosto. Há ainda uma sexta operação brasileira engatilhada: a Penso, de cibersegurança, anunciada no começo de outubro e submetida à aprovação do Cade. Se o órgão liberar, a Vela LatAm chega a 25 empresas adquiridas no Brasil.

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