US President Donald Trump takes his hat off for a moment, as he leaves after he delivered remarks ahead of the midterm elections at the Lincoln Memorial Reflecting Pool, after being reopened following months of repairs, in Washington, DC, US, November 2, 2026. REUTERS/Umit Bektas

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O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com a ampla vitória do Partido Democrata, que superou as expectativas e garantiu o controle da Câmara e do Senado, deve ter impacto positivo para os mercados americanos, avalia Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, gestora com sede em Nova York.

Segundo ele, o mercado prefere um governo dividido, a chamada paralisia política, a um governo com carta branca para intervir na economia. O cenário ocorre quando a Presidência e o Congresso ficam sob o controle de partidos diferentes e as forças políticas se anulam. “A falta de consenso impede a introdução de mudanças legislativas drásticas e abrangentes, limitando a interferência de Washington no andamento da economia”, explica.

“No Brasil, a palavra ‘paralisia’ soa como crise, desgoverno e desastre, mas nos Estados Unidos, paralisia política, o famoso ‘gridlock’, é considerada uma ótima notícia a ser celebrada pelo mercado”, afirma Cabral. A lógica, de acordo com o gestor, é que, se o governo não consegue aprovar leis e reformas, os políticos não interferem na economia, que tende a prosperar. Por isso, o mercado costuma reagir bem quando o poder político fica mais fragmentado, como agora.

O segundo fator que anima os investidores é a perspectiva mais favorável para o déficit público americano, o que tira pressão das taxas de juros. “Um Congresso controlado pelos democratas deverá bloquear novas iniciativas de gastos e reduções de impostos, dificultando a expansão agressiva dos gastos públicos”, diz Cabral.

O terceiro ponto, segundo o gestor, é a redução do prêmio de risco político embutido no preço dos ativos. Com o resultado conhecido e a distribuição de poder em Washington definida, a incerteza diminui, o que tende a valorizar os ativos.

Cabral lembra que, historicamente, o mercado registra fortes altas após as eleições de meio de mandato, independentemente do resultado. Desde 1950, o índice S&P 500 teve valorização média de aproximadamente 15% nos 12 meses seguintes a essas votações.

Na Bolsa, a avaliação do gestor é que um governo dividido tende a preservar o ambiente regulatório atual, favorável às grandes empresas de tecnologia. Embora alguns parlamentares democratas tenham defendido maior supervisão sobre a inteligência artificial (IA) e pedido moratórias para a construção de novos data centers, a paralisia legislativa torna improvável a aprovação de proibições abrangentes ou de regras excessivamente restritivas para o setor.

Na renda fixa, a melhora das expectativas fiscais deve aliviar os juros e impulsionar os preços dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). Com a queda das taxas, o dólar tende a se enfraquecer diante das demais moedas fortes, acredita Cabral.

Já o Goldman Sachs avalia, em relatório, que os democratas devem usar os prazos de financiamento do governo e do teto da dívida para tentar limitar a guerra com o Irã, reduzir tarifas selecionadas e reverter cortes de gastos aprovados no ano passado. A reversão dos cortes contrasta com a expectativa de Cabral de que o novo Congresso freie a expansão dos gastos públicos.

O banco considera menos prováveis mudanças na regulação de data centers e IA, que dependeriam de apoio dos dois partidos para passar pelo Senado e superar um eventual veto presidencial. Por outro lado, as vitórias democratas em governos estaduais e locais devem levar a moratórias de curto prazo para data centers, com potencial de afetar cerca de 45% da expansão planejada da capacidade do setor no país.

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