Um ano depois de deixar o comando do GitHub, onde foi o último CEO, Thomas Dohmke anunciou ao mercado uma alternativa à plataforma que dirigiu. A Entire, lançada nesta segunda-feira (26), se apresenta como a primeira Git forge, plataforma que hospeda repositórios de código Git e reúne em volta ferramentas de colaboração, pensada para a colaboração entre agentes de inteligência artificial (IA) e desenvolvedores humanos, e chega na mesma semana em que o GitHub realiza o Universe, sua conferência anual, em San Francisco, nos Estados Unidos.

A aposta parte de um diagnóstico, de acordo com a empresa: com agentes escrevendo a maior parte do código, o gargalo deixou de ser a produção e passou a ser tudo o que vem depois, da revisão aos testes e à integração. Para atacar esse ponto, a empresa reconstruiu a plataforma sobre três novos pilares.

O mais ousado é o Trail, que substitui o pull request, modelo que se tornou padrão na revisão de código. Em vez de analisar as mudanças linha a linha em um diff, o desenvolvedor acompanha um painel que a empresa compara ao de um piloto de avião, com avaliações (evals) personalizadas pontuadas por agentes a cada push. Os dados ficam disponíveis na interface web e na CLI open source da Entire, o que permite que os agentes corrijam os apontamentos em ciclo enquanto o humano valida o progresso. Quando todas as avaliações são atendidas, o código pode ser integrado sem que o desenvolvedor precise olhar o código em si.

“O pull request revolucionou primeiro o desenvolvimento open source e depois o de software corporativo. Em vez de enviar diffs e patches por listas de e-mail, os desenvolvedores passaram a fazer o fork de um repositório e devolver suas mudanças ao mantenedor. Mas agora os agentes escrevem quase tudo, mais rápido e com mais complexidade do que nunca”, afirma Dohmke.

Segundo ele, o Trail trata a ideia, o rastro do agente e o resultado de cada sessão como artefatos de revisão tão importantes quanto o próprio código, e usa múltiplos agentes para gerar avaliações que verificam a qualidade do código produzido por IA.

Velocidade e memória

O segundo pilar é a hospedagem Git distribuída. A Entire roda sobre um servidor de controle de versão próprio, compatível com Git, que segundo a empresa executa pushes até 89 vezes mais rápido que o GitHub e seis vezes mais rápido que o Cursor Origin. Os números são da própria companhia, que não detalhou a metodologia no anúncio. Os repositórios privados podem ser criados, migrados e hospedados na região escolhida pelo cliente, entre Estados Unidos, União Europeia, Índia e Austrália, com novas regiões no roadmap, segundo a empresa.

O terceiro é o Continuous Memory, que sincroniza as sessões de trabalho no próprio repositório Git e as torna pesquisáveis pelos agentes de código. O recurso combina um grafo da base de código, que de acordo com a empresa reduz em até 71% o consumo de tokens, e um “cérebro agêntico”, que transforma sessões e prompts anteriores em memórias duráveis para que os agentes deixem de repetir erros.

Para que build e testes acompanhem o ritmo dos agentes, a Entire fechou parcerias com Buildkite e Depot. “Quem quiser migrar do GitHub Actions pode converter os workflows existentes com o bk pipeline, do Buildkite, ou com o Depot CI, e então vincular o repositório ao Entire. A partir daí, os builds disparam a cada push e os resultados aparecem diretamente nos Trails”, informa a companhia.

“O gargalo passou de escrever código para tudo o que vem depois”, resume Kyle Galbraith, cofundador e CEO da Depot. Kevin Gounden, CEO do Buildkite, lembra que a Entire já roda a própria integração contínua na plataforma da empresa.

Rodada recorde

A Entire captou US$ 60 milhões em fevereiro, rodada que a empresa classifica como a maior seed da história do segmento de ferramentas para desenvolvedores. Hoje, a companhia reúne um time global de 50 pessoas com passagens por GitHub, Microsoft, Atlassian, DigitalOcean e Redbubble, entre outras. Antes do lançamento da plataforma, a startup já havia liberado o espelhamento de repositórios e uma CLI para rastrear sessões de agentes.

Por ora, a plataforma é otimizada para equipes nativas em IA, mas a promessa é ampliar a oferta para mantenedores de projetos open source e grandes empresas. Entre os próximos recursos, garante a companhia, estão a auto-hospedagem de nós Git, repositórios públicos, sessões transmitidas ao vivo e novas integrações com parceiros do ecossistema de desenvolvimento.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!