Ilustração de cédulas do guarani, moeda oficial do Paraguai. Imagem gerada com uso de IA
" data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/11/Cedulas-paraguaias-sobre-madeira-escura.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />O Banco Central do Paraguai (BCP) informou neste sábado (7) que já devolveu cerca de US$ 158 milhões a clientes do Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção após uma crise de solvência e desencadeou uma turbulência política no país.
Segundo a autoridade monetária, os pagamentos já contemplaram 64% das 1,87 milhão de contas que possuíam saldo no banco digital. Outras 669.336 contas ainda aguardam a restituição.
Os recursos devolvidos totalizam 994,6 bilhões de guaranis. A partir de segunda-feira (9), o BC pretende iniciar uma nova etapa de pagamentos, incluindo clientes que possuem dívidas com a instituição.
O presidente interino do BCP, Pedro Acosta, explicou que o total de 1.867.531 contas consideradas no levantamento já exclui aquelas que estavam sem saldo.
“Já pagamos um primeiro lote de 722 mil contas e ontem pagamos o segundo, de 475 mil. Restariam agora 669.336 contas”, afirmou.
Quem ainda vai receber o dinheiro do Ueno Bank?
Os primeiros pagamentos contemplaram clientes que não tinham empréstimos, dívidas de cartão de crédito ou outras obrigações com o Ueno Bank e que possuíam ou abriram conta em outra instituição financeira.
Parte dos correntistas que atendiam a esses critérios, porém, não conseguiu receber os valores devido a bloqueios nas contas.
“Se, por alguma razão, uma pessoa cumpria essas condições e não recebeu, é porque havia algum impedimento, algum bloqueio na conta”, explicou o gerente de Análise e Regulação do BCP, Julio Cristaldo.
A previsão é que esses casos sejam incluídos nos pagamentos de segunda-feira (9) ou, no máximo, terça-feira (10).
A devolução também interessa a brasileiros que mantinham recursos no banco paraguaio. Os pagamentos serão realizados em guaranis, inclusive para contas originalmente denominadas em dólares.
Leia mais: Como os brasileiros vão receber o dinheiro do Ueno Bank de volta?
Clientes com dívidas terão valores descontados
Para os correntistas que possuem dívidas com o Ueno Bank, a legislação paraguaia determina que os valores vencidos sejam descontados antes da restituição dos depósitos.
Assim, um cliente que tinha 5 milhões de guaranis na conta e devia 2 milhões em parcelas atrasadas receberá os 3 milhões restantes.
O Banco Central trabalha durante o fim de semana para preparar essa etapa de pagamentos.
Segundo Acosta, bancos e financeiras continuarão realizando transferências e permitindo saques em dinheiro nas agências durante o sábado e o domingo.
“As agências estão habilitadas hoje e amanhã, e seria bom que consultassem as páginas dessas instituições”, disse.
A partir de quinta-feira (12), o Banco Central também começará a analisar, por ordem de chegada, as solicitações individuais de clientes que ainda não receberam seus recursos.
Fundo garante depósitos de até R$ 201 mil por cliente
Os pagamentos são realizados com recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), mecanismo que protege os depositantes quando uma instituição financeira não consegue cumprir suas obrigações.
Segundo o BCP, o fundo possui aproximadamente US$ 1,663 bilhão, dos quais 9,5% já foram utilizados nas restituições do Ueno Bank.
A garantia cobre depósitos de até 75 salários mínimos paraguaios, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis, ou cerca de R$ 201 mil por cliente.
Valores que ultrapassem esse limite dependem da recuperação de recursos no processo de liquidação do banco, ainda sem prazo definido.
O Ueno Bank, que atendia cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, sofreu intervenção após seu índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação.
A crise comprometeu o acesso de correntistas e investidores aos recursos e levantou suspeitas sobre a situação financeira da instituição.
Veja também: Paraguai: entenda a crise que derrubou presidente do BC e colocou banco sob suspeita
Crise do Ueno Bank levou ao impeachment de Santiago Peña
Os problemas financeiros do Ueno ultrapassaram o setor bancário e provocaram uma crise institucional no Paraguai.
Na sexta-feira (6), o Senado destituiu o presidente Santiago Peña, em um processo de impeachment relacionado ao colapso da instituição. O então vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o governo.
Peña, que manteve participação na empresa controladora do Ueno Bank até 2025, foi colocado em prisão domiciliar e nega ter cometido irregularidades.
Neste sábado, o ex-presidente compareceu ao Ministério Público para prestar depoimento sobre o caso. As autoridades paraguaias investigam possíveis irregularidades e conflitos de interesse associados à crise.
Leia mais: Ex-presidente do Paraguai enfrenta promotores após impeachment e prisão domiciliar
Aposentados também são afetados pela crise
O fechamento do Ueno Bank também atingiu beneficiários do sistema previdenciário paraguaio.
Cerca de 32 mil aposentados que recebiam seus benefícios pela instituição estão sendo transferidos para outros oito bancos, segundo o Instituto de Previdência Social (IPS).
O pagamento das aposentadorias e do benefício anual complementar continua previsto para 17 de novembro, conforme o cronograma informado pelas autoridades.
(Com Estadão Conteúdo)
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