Resumo
- As ações das principais empresas de tecnologia registraram quedas expressivas nas bolsas de valores.
- O Nasdaq recuou 5,52% nos EUA, sua maior queda diária desde abril de 2025, enquanto o Nikkei do Japão e o Kospi da Coreia do Sul também tiveram perdas.
- A desvalorização está relacionada a dúvidas sobre o retorno dos investimentos em e possíveis mudanças na legislação nos EUA.
A conta da inteligência artificial parece ter chegado a Wall Street. As ações das sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos fecharam em queda nas principais bolsas de valores do mundo. A Tesla (TSLA) liderou as perdas, com recuo de 10,8%. A Nvidia (NVDA) perdeu 9,3%, enquanto a Meta (META) e a Microsoft (MSFT) também registraram desvalorização.
O Nasdaq, índice que reúne principalmente empresas de tecnologia nos EUA, recuou 5,52% na quinta-feira (05/11), a maior desvalorização diária desde abril de 2025. A onda de vendas chegou à Ásia hoje (06/11): o Nikkei, do Japão, fechou em baixa de 5,96%. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 6,02%, depois de chegar a cair 8,55% durante o pregão. A intensidade da queda levou a bolsa sul-coreana a suspender as negociações por 20 minutos.
A Apple (AAPL) foi a empresa que menos perdeu valor entre as gigantes de tecnologia e viu seus papéis recuaram 1,53%. Um dos fatores para a queda mais moderada é a menor exposição da fabricante à atual corrida por infraestrutura de IA.
Pressão por lucros

As fabricantes de semicondutores também sofreram perdas expressivas. A AMD recuou 17,3%, enquanto o índice de empresas de chips da Filadélfia caiu 12,2%. Na Ásia, a fabricante sul-coreana SK Hynix perdeu 10,4%, e a Samsung Electronics recuou 6,4%.
Por trás da desvalorização está uma dúvida sobre o tamanho dos investimentos necessários para sustentar a expansão da IA. Os investidores querem saber quando os bilhões de dólares destinados à tecnologia vão começar a gerar lucro — tanto para as empresas que desenvolvem os sistemas quanto para os fornecedores de equipamentos e componentes.
Segundo levantamento da Reuters, Amazon (AMZN), Meta (META), Microsoft (MSFT) e Alphabet (GOOGL), controladora do Google, elevaram juntas seus investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano (cerca de R$ 1,1 trilhão).
A previsão é de que as quatro empresas desembolsem outros US$ 232 bilhões (R$ 1,2 trilhão) no trimestre seguinte. Os gastos de capital do grupo podem chegar a US$ 740 bilhões (R$ 4 trilhões).
A maior parte dos investimentos é destinada à construção de data centers, à compra de processadores e à ampliação da capacidade de armazenamento e processamento de dados. Essas instalações reúnem milhares de computadores que permitem treinar e executar sistemas de inteligência artificial.
A expansão do setor, porém, enfrenta um novo fator de incerteza nos Estados Unidos: a possibilidade de regras mais rígidas para a construção dessas estruturas. As eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (03/11), deram ao Partido Democrata maioria no Congresso americano e aumentaram a preocupação dos investidores com eventuais mudanças na legislação, o que reduziria a demanda por chips.
TSLA, NVDA, META, MSFT: ações de big techs derretem nas bolsas

