Fundadores da Strawberry: Arian Hanifi (CTO), Charles Maddock (CEO) e Sebastian Thunman (COO) | Foto: Divulgação

A popularização da inteligência artificial facilitou muito o trabalho de desenvolvedores e permitiu que mesmo profissionais relativamente leigos em programação conseguissem criar assistentes de IA simples. No entanto, uma startup sueca acredita que é possível descomplicar ainda mais essa tarefa, oferecendo às empresas agentes de IA sofisticados, capazes de executar tarefas diretamente no navegador, e que podem ser usados por todos os perfis de funcionários, inclusive os não técnicos.

Depois de levantar US$ 6 milhões com os fundos EQT e General Catalyst, a Strawberry acaba de anunciar o lançamento da versão 1.0 da sua plataforma, que já está disponível globalmente.

Sediada em Estocolmo, na Suécia, a startup tem 12 funcionários e foi fundada por Charles Maddock, CEO; Sebastian Thunman, COO; e Arian Hanifi, CTO. A empresa também recebeu investimentos-anjo de empreendedores ligados à Lovable, à Supabase e à Hugging Face.

A proposta da Strawberry é permitir que empresas criem seus próprios agentes de IA, chamados de AI companions. Em vez de funcionar apenas como um chatbot que recebe uma instrução e devolve uma resposta, esses agentes são projetados para executar tarefas no ambiente de trabalho dos usuários, aprender suas preferências e aprimorar a atuação ao longo do tempo.

“É como trazer um novo integrante para a equipe. A ideia é oferecer um navegador que já venha com uma equipe de agentes capazes de trabalhar ao lado do usuário. No futuro, acreditamos que a web será cada vez mais agêntica: agentes de diferentes organizações vão se comunicar, realizar transações e tomar decisões. Dentro das empresas, poderão coordenar atividades e acelerar processos, reduzindo a necessidade de reuniões e a dependência de pessoas específicas para que um projeto avance”, explica Charles, em entrevista ao Startups.

A plataforma é voltada principalmente a equipes de vendas, recrutamento, marketing e atendimento ao cliente. Um agente pode, por exemplo, pesquisar potenciais clientes, preparar abordagens comerciais e registrar informações em um sistema de CRM. Depois, o funcionário pode compartilhar esse agente com os colegas, que passam a utilizar o mesmo fluxo de trabalho.

“Hoje, a pessoa que é boa em usar o Claude mantém tudo no próprio computador. Na Strawberry, você treina um agente uma vez e toda a equipe pode utilizá-lo, com tudo o que ele aprendeu”, afirma Charles.

De olho no mercado brasileiro

Entre as novidades da versão 1.0 está a possibilidade de programar rotinas para que os agentes executem tarefas em horários determinados ou em resposta a eventos, como a chegada de um e-mail ou de um novo contato comercial. Entre os usos possíveis estão organizar a caixa de entrada, preparar respostas, agendar reuniões de vendas e produzir relatórios periódicos de marketing.

A plataforma também permite dividir atividades complexas entre agentes que trabalham em paralelo. Uma pesquisa sobre 200 empresas ou a análise de 100 perfis de candidatos, por exemplo, pode ser distribuída entre agentes menores, que executam partes do trabalho simultaneamente e depois consolidam os resultados.

Outro recurso é a geração de notas de reuniões realizadas no Google Meet, Zoom e Microsoft Teams. Segundo a empresa, a gravação é feita diretamente no computador, sem a necessidade de adicionar um bot à chamada. A ferramenta produz anotações, próximos passos e tarefas de acompanhamento.

Segundo Laurits Wehding, founding operator na Strawberry, o mercado brasileiro tem chamado a atenção da startup, embora ainda não haja planos concretos para abrir um escritório por aqui.

“Ouvi dizer que o Brasil é um mercado bastante interessado em inteligência artificial, inclusive em termos de adoção. Conversei com meus amigos de outras startups de IA e vibe coding, e eles disseram que o Brasil é um mercado que se movimenta muito rapidamente para eles. É muito legal saber disso”, diz.

Segurança de dados

A Strawberry está disponível para macOS e Windows. A plataforma tem um plano gratuito e opções pagas a partir de US$ 20 por mês, com diferentes níveis de uso.

Em relação à segurança, a empresa afirma que tem proteções contra prompt injection, uma técnica que tenta manipular os agentes por meio de instruções maliciosas inseridas no conteúdo que eles processam.

“Também desenvolvemos um sistema de permissões que permite definir quais ferramentas cada agente pode utilizar. É possível, por exemplo, autorizar um agente a redigir e-mails, mas impedir que os envie sem a aprovação de uma pessoa. A ideia é que determinadas ações continuem dependendo da validação humana”, explica Charles.

A startup oferece ainda a possibilidade de residência de dados na União Europeia, para as empresas do bloco, e possui certificações SOC 2 Type I e II, voltadas a controles de segurança e gestão de informações.

“Como a Strawberry atua na camada de aplicação e não depende de um único modelo, as empresas podem usar suas próprias chaves de API. Oferecemos diferentes opções de acordo com a necessidade: modelos mais baratos e rápidos para tarefas simples e modelos mais avançados para atividades complexas e de longa duração”, observa o CEO.

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