A Solo Network, integradora de tecnologia com sede em Curitiba, anunciou a aquisição de participação majoritária na Planeje, empresa especializada em engenharia, infraestrutura e construção de data centers. Com a operação, o grupo paranaense passa a atuar em projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o Brasil.

A movimentação faz parte da estratégia da Solo Network para alcançar R$ 1 bilhão em receita. Em 2025, a companhia encerrou o ano com faturamento próximo de R$ 800 milhões; para 2026, a expectativa é se aproximar da marca de R$ 1 bilhão, com alta de 30% no resultado operacional.

Os sócios da Solo Network adquiriram 80% das cotas da Planeje por meio de suas holdings. Na primeira etapa, a Solo Network prevê destinar cerca de R$ 10 milhões ao capital de giro e à expansão comercial da Planeje. A partir de 2027, o grupo pode colocar à disposição da operação até R$ 50 milhões ao longo de três anos, conforme a contratação de novos projetos.

“Estamos vendo uma mudança na procura por capacidade computacional. Nossa decisão foi participar de forma direta da cadeia de infraestrutura e trazer para dentro do grupo a engenharia e a construção de data centers“, afirma o diretor-presidente (CEO) da Solo Network, João Paulo Costa Pereira.

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Cadeia integrada de data centers

A estratégia combina três operações complementares: a Planeje responde pela engenharia, construção e integração dos projetos; a Envolve Ambientes Seguros fabrica painéis, portas, salas seguras e data centers modulares e em contêineres; e a Solo Network acrescenta as camadas de tecnologia, com soluções de cloud, software, dados e cibersegurança. A fábrica da Envolve tem capacidade para atender o equivalente a até 25 data centers por ano, a depender da configuração e do porte dos empreendimentos.

A aproximação entre Planeje e Envolve não é nova. As duas empresas trabalharam juntas no data center modular do Exército Brasileiro, inaugurado em 2025 após vencerem um edital conjunto. No projeto, a Envolve instalou uma sala segura modular de 112 m² com proteções contra incêndio, arrombamento, jatos d’água e impactos, além de blindagem eletromagnética. A Planeje ficou responsável pela integração dos sistemas críticos, que incluíam subestações de média e baixa tensão, climatização, geradores com até 12 horas de autonomia, no-breaks e mais de mil pontos de cabeamento estruturado em fibra óptica e metálico. A estrutura atende ao 3º Centro de Telemática de Área (3º CTA), dedicado à gestão de informações críticas da defesa nacional.

“Juntas, as empresas cobrem a cadeia completa de um projeto de infraestrutura crítica”, afirma Pereira. “Nossa intenção é transformar essa estrutura em uma das principais operações do país no segmento de data centers de pequeno e médio porte.”

Operação e metas financeiras

A Planeje vai manter a própria marca, equipe e estrutura operacional. Eduardo Silveira, sócio da companhia, continuará à frente das áreas comercial e de operações, e os 32 profissionais da empresa serão mantidos. A gestão administrativa e financeira passa a ser integrada à estrutura do grupo, que também prevê ampliar a equipe comercial.

A empresa já atende órgãos públicos, cooperativas agroindustriais, indústrias e instituições de ensino, com foco em organizações que precisam construir ou modernizar ambientes próprios de processamento, armazenamento e contingência. A Planeje estima faturar R$ 30 milhões em 2026. Com os recursos e a estrutura comercial da Solo Network, a expectativa é dobrar a receita em 2027 e alcançar R$ 200 milhões em faturamento até 2031.

O mercado de infraestrutura tem potencial de expansão relevante. Segundo projeção da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), os investimentos acumulados em data centers no Brasil podem chegar a R$ 399,3 bilhões até 2030, sendo R$ 99,8 bilhões destinados à infraestrutura e R$ 299,5 bilhões a equipamentos.

Solo Network: trajetória e próximo passo

Fundada em 2002, em Curitiba, por João Paulo Costa Pereira e Audreyn Justus, a Solo Network reunia cerca de 100 colaboradores em 2020. Hoje, a companhia tem mais de 400 profissionais, atende mais de seis mil clientes e mantém equipes comerciais em 14 estados. Sua atuação está organizada em cinco frentes: Cloud & Infra, Dados & Inteligência Artificial (IA), Modernização, Modern Workplace e Cibersegurança.

Uma das iniciativas mais recentes foi a criação da Solo Iron, vertical de cibersegurança lançada em 2023, que já responde por mais de 20% do faturamento. A unidade reúne serviços como monitoramento de segurança, testes de intrusão, simulações de ataques e gestão de ambientes protegidos.

“Vivemos o período de maior crescimento da nossa história. Ao mesmo tempo, estamos mudando o perfil da receita, com mais soluções e serviços de alto valor, como cibersegurança, dados e IA, e menos dependência de licenciamento”, afirma Pereira. A aquisição da Planeje segue essa lógica; em 2018, a Solo criou a vertical de Cloud & Infra para capturar a migração de ambientes corporativos para a nuvem durante a pandemia; agora, a empresa aposta no mesmo movimento em um segmento impulsionado pela inteligência artificial e pelo crescimento do volume de dados.

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