Alunos treinam na NXT House (Foto: Divulgação)

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A Skyfit quer chegar a R$ 1 bilhão de faturamento até o fim de 2027 — e, para alcançar a marca, pretende fazer mais do que simplesmente abrir novas academias de baixo custo.

O low cost continuará sendo o principal motor de expansão da companhia. A rede, que opera exclusivamente por meio de franquias, deve encerrar o próximo mês com quase 400 unidades em 23 estados. Há ainda entre 260 e 280 novos franqueados em diferentes estágios, entre a busca por pontos e obras em andamento.

Mas uma segunda frente começa a ganhar espaço na estratégia: a NXT House, marca de academias de perfil premium que chegou ao grupo a partir de uma parceria com os fundadores da empresa e que tem como principal aposta o crescimento do HYROX, competição que combina corrida e exercícios funcionais. “Cerca de 80% do nosso crescimento segue no nosso core, mas começamos a montar essas adjacências para o nosso futuro”, diz Amanda Coelho, COO da Skyfit.

A ideia é aproveitar uma estrutura que a Skyfit já construiu — de implantação de unidades, tecnologia, processos e gestão de franquias — para levar a NXT a outras regiões do país. A marca tem atualmente dez unidades no pipeline e pretende chegar a 50 até o fim de 2027.

Espaço da Skyfit (Foto: Divulgação)

De uma academia de bairro a uma nova marca

A NXT nasceu antes de fazer parte da estratégia da Skyfit. Em 2023, Guilherme Leite e seus sócios identificaram o crescimento do HYROX no exterior e começaram a estudar a possibilidade de trazer o conceito para o Brasil. Em abril de 2024, a NXT House se tornou a primeira afiliada da modalidade no país.

A empresa nasceu com uma ambição que vai além do HYROX. Em vez de criar uma academia associada a uma única tendência, a proposta foi montar um espaço capaz de incorporar diferentes modalidades e manter a comunidade de alunos como parte central do negócio.

A tese chamou a atenção da Skyfit durante a mudança de controle e de gestão da companhia. De um lado estava uma marca com uma estrutura de franquias já consolidada; do outro, uma operação voltada a um público de maior poder aquisitivo e a uma modalidade esportiva em expansão. O resultado foi uma combinação das duas estruturas.

Leite, um dos fundadores da NXT, passou a integrar a Skyfit como diretor comercial e continua como sócio dos dois negócios. “Achamos que valeria a pena cruzar os negócios, utilizar tudo que tem de melhor na Skyfit, na esteira da franquia e da implantação, e, na ponta final, levar um novo produto, uma nova possibilidade para os nossos parceiros”, afirma. Após a incorporação, a primeira unidade da nova fase da NXT será aberta por um franqueado da própria Skyfit, em Campinas.

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Low cost + boutique

As duas marcas convivem dentro do mesmo grupo, mas de forma independente. E a diferença entre os dois começa pelo público e pelo produto.

A Skyfit opera no modelo low cost, com foco em escala e mensalidades mais acessíveis. Já a NXT aposta em uma experiência mais próxima do conceito de boutique fitness, com equipamentos específicos para treinamento funcional e um ambiente desenhado para estimular a permanência e a convivência entre os alunos.

Entre os equipamentos estão máquinas de ski, remo, trenó e esteiras curvas, além de outros aparelhos voltados ao treinamento funcional. A experiência também inclui espaços de convivência e coworking. “A NXT não é a casa dos atletas, ela é a casa de todo mundo”, diz Leite.

O público, segundo ele, vai de adolescentes a pessoas de idade avançada e inclui tanto atletas que competem quanto alunos que simplesmente querem treinar. Essa comunidade é, justamente, uma das características que a empresa acredita que pode transformar em escala.

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O desafio, agora, é reproduzir em dezenas de unidades uma experiência que foi construída inicialmente em uma operação própria.

Para isso, a Skyfit pretende usar tecnologia para padronizar a metodologia de treinamento e conectar as unidades. “Se você vai num crossfit em Moema e, depois, num crossfit no Itaim, estará treinando coisas diferentes. Aqui [na NXT], o Brasil inteiro treinará da mesma forma”, afirma Amanda.

Espaço da NXT House (Foto: Divulgação)

A aposta no HYROX

O HYROX ocupa papel central na estratégia inicial da NXT. Criada na Alemanha, a competição combina oito quilômetros de corrida com oito exercícios funcionais. Os participantes percorrem um quilômetro e, em seguida, realizam um exercício antes de voltar a correr, repetindo o circuito até completar a prova.

A lógica permite que os participantes comparem seus tempos e busquem melhorar o desempenho a cada competição — um modelo que a NXT pretende transformar em uma metodologia de treinamento mais ampla.

Na prática, uma aula da NXT não significa necessariamente reproduzir a competição. A grade alterna treinos de endurance, força e exercícios funcionais. A aposta da empresa é que isso torne o negócio menos dependente de uma única modalidade.

“O que eu não quero é daqui a cinco anos estar vinculado a uma marca, a uma única tendência e eventualmente o nosso produto perder força. Queremos surfar as tendências”, afirma Leite.

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De 400 para 600 unidades

Enquanto a nova marca começa a ganhar escala, a Skyfit não pretende reduzir o ritmo de expansão de seu negócio principal. A rede deve passar de 400 unidades no curto prazo e tem como meta chegar a cerca de 600 nos próximos horizontes de expansão.

A empresa já está presente em 23 estados, com maior concentração no Sudeste, mas vem acelerando a abertura de unidades em outras regiões. E a estratégia para crescer também inclui o chamado retrofit: transformar academias que já existem em unidades da Skyfit.

Hoje, esse modelo ainda representa uma parcela pequena da base, mas, de acordo com Amanda, vem ganhando espaço entre as vendas da companhia. A tese é que parte das quase 40 mil academias existentes no Brasil possa, ao longo do tempo, migrar para grandes redes, em um movimento que a empresa compara à consolidação observada no setor de farmácias.

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Uma segunda avenida para as franquias

A expansão da NXT também pode representar uma nova oportunidade para os atuais franqueados da Skyfit. O lançamento da marca está inicialmente concentrado nesse público e em operadores experientes de franquias de outros segmentos. A abertura para o mercado mais amplo está prevista para outubro.

Das dez unidades atualmente no pipeline, parte está no Sudeste, mas já existem negociações em outras regiões, incluindo o Nordeste. O plano é chegar a 50 unidades até o fim de 2027. Como são operações de maior valor agregado, o tíquete médio esperado é significativamente superior ao das academias low cost, variando de cerca de R$ 320 a R$ 550, dependendo da região e da concorrência local.

A participação da NXT no faturamento total do grupo ainda está sendo modelada, mas a lógica não é substituir o modelo que levou a Skyfit à escala atual e sim adicionar uma nova camada a ele.

De um lado, a companhia continua apostando em academias de baixo custo e na expansão para cidades menores, periferias e regiões ainda pouco atendidas. De outro, tenta usar a mesma máquina de franquias para capturar uma fatia de um mercado mais premium — e, ao mesmo tempo, se posicionar em torno de uma modalidade esportiva que cresce rapidamente.

O desafio será transformar uma comunidade construída em uma única operação em uma rede nacional sem perder justamente aquilo que tornou a NXT atraente: a experiência.

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