A SK Hynix suspendeu os planos de abertura de capital (IPO) de sua subsidiária Solidigm nos Estados Unidos. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (23) e tem como motivações tanto a volatilidade do mercado quanto preocupações levantadas por autoridades sul-coreanas sobre possível prejuízo aos acionistas da empresa-mãe.
A Solidigm, ex-unidade da Intel especializada em memória NAND flash e unidades de estado sólido (SSDs), vinha sendo cogitada para listagem nos EUA com o objetivo de financiar uma nova fábrica americana e atender à crescente procura por chips em centros de dados de inteligência artificial (IA). O IPO também poderia ter financiado cancelamentos e recompras de ações, segundo a própria SK Hynix.
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Operação bilionária pausada
Pessoas com conhecimento do processo afirmam que o IPO suspenso poderia ter levantado US$ 15 bilhões e avaliado a unidade em US$ 150 bilhões. Em nota, a companhia sul-coreana afirma que “esta decisão não reflete nenhuma mudança nas perspectivas de crescimento ou nas necessidades de investimento da Solidigm”.
Com a operação paralisada, a SK Hynix diz que vai continuar a avaliar formas de financiar a expansão da Solidigm e aumentar o valor para os acionistas, incluindo a revisão do momento, da escala e do financiamento de investimentos futuros.
As ações da SK Hynix fecharam em alta de 4,4% na sexta-feira (23), superando um mercado mais amplo estável, à medida que as preocupações com uma possível diluição dos interesses dos acionistas se dissiparam.
Pressão do governo Trump e xadrez geopolítico
Não estava claro de imediato como a decisão seria recebida pelo governo Trump, que tem pressionado fabricantes de chips estrangeiros a construírem instalações nos EUA e conduzido negociações com a SK Hynix. Segundo pessoas a par do assunto, a companhia vinha usando a perspectiva de uma potencial fábrica nos EUA como carta na manga, vinculando-a a uma eventual aprovação de Washington para exportar equipamentos americanos de fabricação de chips à China, com o objetivo de ampliar a produção no país.
Autoridades sul-coreanas afirmam estar discutindo investimentos em semicondutores nos EUA com Washington como parte de conversas bilaterais mais amplas. Esses investimentos, no entanto, não integram as negociações sobre o compromisso de US$ 350 bilhões que a Coreia do Sul assumiu com os EUA no ano passado em troca de tarifas americanas mais baixas.
Cautela com listagens no exterior
A suspensão do IPO da Solidigm também reflete uma retração no sentimento em relação a ações do setor de IA, à medida que investidores se preocupam com os impactos do aumento nos custos de empréstimos sobre um setor com alta carga de dívida. Entre outras operações canceladas estão o IPO da australiana Firmus, apoiada pela Nvidia, e uma listagem de fundo imobiliário em Cingapura da AirTrunk, com respaldo da Blackstone.
Ao mesmo tempo, as preocupações sul-coreanas com listagens no exterior se intensificaram. O presidente do Serviço de Supervisão Financeira, Lee Chan-jin, afirma em audiência parlamentar nesta semana que os reguladores estavam analisando se o potencial IPO americano da Solidigm exigiria uma revisão conforme as restrições de dupla listagem do país, regras que foram endurecidas em julho para reforçar a proteção dos acionistas.
O Fórum de Governança Corporativa da Coreia, entidade independente, saudou a decisão da SK Hynix. O fórum observa que, em vez de uma listagem nos EUA para a Solidigm, a SK Hynix poderia injetar capital por meio de sua entidade AI Company, ainda que a Solidigm exija dezenas de trilhões de wons em investimentos de capital. Com base em estimativas médias de corretoras sul-coreanas, o fórum diz que as reservas de caixa da SK Hynix devem chegar a 456 trilhões de wons (cerca de US$ 344 bilhões) até o fim de 2027.
O debate sobre listagens de subsidiárias no exterior se estendeu além do setor de chips. A fabricante sul-coreana de autopeças Myoung Shin Industrial afirmou nesta semana que seu conselho decidiu se opor a uma proposta de listagem americana de uma subsidiária, citando a necessidade de revisar medidas de proteção aos acionistas. As ações da companhia subiram 18% após o anúncio. O analista Shin Yoon-chul, da Kiwoom Securities, afirma que planos semelhantes de outras empresas sul-coreanas podem enfrentar escrutínio mais rigoroso.
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