Centro de Distribuição da Shopee em Franco da Rocha (SP) | Crédito: Divulgação

A Shopee chegou a 30 centros de distribuição no Brasil, após abrir quatro novas unidades e ampliar uma instalação em Piracicaba (SP). Com as mudanças, a capacidade de processamento de pedidos cresceu 60% em relação ao mesmo período de 2025, em um movimento para acelerar as entregas e sustentar o crescimento da operação no país.

Com mais de 3 milhões de vendedores brasileiros cadastrados e 90 milhões de usuários únicos mensais, a plataforma também busca melhorar a experiência de compra e ampliar sua atuação em categorias como celulares, eletrônicos e eletrodomésticos. A estratégia inclui investimentos em formatos de venda baseados em vídeos, transmissões ao vivo e afiliados, além de iniciativas para atender à demanda fora dos períodos de maior movimento do comércio.

Estratégia logística

Os quatro novos centros de distribuição ficam nas regiões metropolitanas de Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES) e Blumenau (SC). Em Piracicaba (SP), a empresa triplicou a área operacional de uma unidade já existente. Segundo a Shopee, as novas instalações acrescentam capacidade para processar 2,4 milhões de pedidos por dia.

Dos 30 centros de distribuição da empresa no Brasil, 25 operam no modelo cross-docking, que reduz significativamente a necessidade de armazenamento de mercadorias, e cinco funcionam no modelo fulfillment. Nesse segundo formato, os vendedores enviam seus produtos antecipadamente, antes mesmo de a venda ser realizada, e a Shopee os armazena até o envio ao cliente.

A modalidade fulfillment reúne cerca de 13 mil vendedores com produtos armazenados na estrutura da plataforma. O primeiro centro de distribuição nesse modelo, inaugurado há dois anos em Franco da Rocha (SP), tem 135 mil metros quadrados e aproximadamente 150 mil itens únicos armazenados.

Além de ampliar a capacidade da rede, a empresa investe em modalidades de entrega rápida. Uma delas é o Turbo, que permite que vendedores elegíveis entreguem pedidos em até quatro horas nas áreas atendidas por estabelecimentos parceiros. A rede do serviço reúne mais de 7 mil lojas, entre negócios locais e grandes varejistas.

O objetivo da estrutura logística é reduzir o tempo entre a compra e o recebimento do produto. “Preparar-se para a alta temporada é um trabalho que dura o ano todo. As campanhas mensais de datas duplas criam picos regulares de demanda e nos permitem aprimorar as operações de forma contínua, em benefício de compradores e vendedores”, afirma Tiago Freddi, diretor de Logística da Shopee, em encontro com jornalistas.

Ele revela que o prazo médio de entrega em julho de 2026 foi 1,8 dia menor do que no primeiro trimestre de 2025. Em São Paulo, 85% das entregas são concluídas em até dois dias.

Concorrentes se movimentam

A expansão logística também está no centro dos planos de grandes players como Amazon e Mercado Livre.

O Mercado Livre prevê encerrar 2026 com 72 centros logísticos de grande porte, crescimento de 39% em relação ao ano anterior, após anunciar 20 novas operações até o fim do ano. A companhia também lançou o Envios Agora, modalidade que permite entregas em até 60 minutos em áreas selecionadas de São Paulo, para produtos elegíveis de até 15 kg.

A Amazon, por sua vez, informou em abril que ultrapassou 300 centros logísticos no Brasil, com um ritmo médio de abertura de três unidades por semana. A expansão sustenta a oferta de entregas em poucas horas nas grandes cidades e, em áreas selecionadas, em menos de 15 minutos.

Além de investir em logística, os marketplaces buscam ampliar as categorias comercializadas. Em setembro de 2026, o Mercado Livre anunciou que passaria a vender medicamentos com prescrição médica, incluindo antibióticos e canetas para diabetes e controle de peso. A companhia também anunciou planos de integrar farmácias de redes terceiras ao marketplace para ampliar a cobertura de entregas, com a previsão de chegar a 20 estabelecimentos parceiros em São Paulo até o fim do ano.

O movimento ocorre em meio à adaptação das regras sanitárias. Em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu um processo para regulamentar a contratação de plataformas digitais por farmácias para logística e entrega de medicamentos, com o objetivo de adequar as normas à Lei 15.357/2026.

Questionada sobre a possibilidade de incluir medicamentos com prescrição médica, a Shopee disse acompanhar as discussões com a Anvisa. A empresa afirma manter diálogo com a agência para apresentar os mecanismos de controle disponíveis, mas aguarda maior clareza regulatória antes de tomar decisões mais amplas sobre o segmento.

Vídeos, lives e inteligência artificial

Além da operação logística, a Shopee busca ampliar as formas de descoberta e compra de produtos por meio do social commerce, com iniciativas dentro e fora do aplicativo. Na plataforma, a empresa investe em vídeos e transmissões ao vivo para aproximar os consumidores dos produtos e estimular as compras. Fora do app, a estratégia inclui campanhas nas redes sociais e parcerias com afiliados e criadores de conteúdo.

Embora as iniciativas sejam parte de uma uma estratégia contínua de engajamento dos usuários, a temporada de novembro concentra uma parcela importante dos esforços comerciais da Shopee. As campanhas de datas duplas ao longo do ano funcionam como períodos recorrentes de pico de demanda, mas o 11.11 e a Black Friday são os principais momentos promocionais do calendário, com reforço das ações para atrair consumidores e impulsionar as vendas.

A plataforma também utiliza inteligência artificial para aprimorar a experiência de compra e apoiar os vendedores. Entre as aplicações estão ferramentas para melhorar fotos e descrições de produtos, auxiliar na comunicação entre compradores e vendedores e recomendar tamanhos de roupas.

A combinação dessas iniciativas busca facilitar a jornada de compra e ajudar os vendedores a apresentar seus produtos a mais consumidores, em um marketplace que reúne negócios de diferentes portes.

Dia D

Segundo Felipe Piringer, diretor de marketing da Shopee, a campanha de 11 de novembro se tornou mais importante para a plataforma do que a própria Black Friday. Neste ano, a ação contará com R$ 25 milhões em cupons de desconto, ante R$ 23 milhões previstos para a Black Friday, de acordo com o executivo.

A companhia revelou hoje (27), durante encontro com jornalistas, que prepara uma parceria com o Nubank, cujos detalhes serão divulgados nos próximos dias. A Shopee não forneceu mais informações sobre a iniciativa.

A temporada inclui descontos de até 50%, cupons de até R$ 100, frete grátis em compras a partir de R$ 10, transmissões ao vivo e ofertas em mais de 30 categorias. A estratégia também contempla a campanha “1 ano de Shopee Grátis” e benefícios por assinatura, como descontos para usuários do Shopee VIP.

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