Logo da Shein em centro comercial de Cingapura
4/4/2024 REUTERS/Edgar Su/Arquivo

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Logo da Shein em centro comercial de Cingapura
4/4/2024 (Foto: REUTERS/Edgar Su/Arquivo)

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LONDRES, 23 Out (Reuters) – A gigante chinesa de fast fashion ⁠Shein concordou em pagar US$100 milhões para encerrar uma investigação da Comissão ⁠Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) sobre atrasos na entrega e outras reclamações de ‌clientes, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto à Reuters na sexta-feira.

O acordo, equivalente a 44% do lucro do segundo trimestre da Shein, é o mais recente a atingir a varejista online ‌de moda rápida, que enfrenta uma repressão regulatória e tributária na Europa e nos EUA, o que freou seu crescimento.

A Shein, fundada na China, mas com sede em Cingapura, afirmou em comunicado à Reuters que ‘chegou a um acordo construtivo com a FTC’ e que mais informações serão divulgadas em breve. Um porta-voz da FTC se recusou a comentar.

A empresa já havia alertado, em documentos apresentados em julho para ⁠seu ‌IPO em Hong Kong, que a investigação dos EUA poderia resultar em multas significativas.

Segundo registros da ⁠FTC analisados pela Reuters, os consumidores registraram mais de 12.000 reclamações contra a Shein, referentes a compras que totalizaram mais de US$11 milhões entre janeiro de 2020 e junho de 2026.

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Pelo menos alguns desses problemas estão relacionados ao envio, com clientes relatando à FTC e ao Better Business Bureau que nunca receberam pacotes que a Shein havia marcado como entregues e que ​o serviço de atendimento ao cliente da Shein não resolveu o problema.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o conteúdo das queixas, nem se elas foram resolvidas.

Além de vender roupas ​de marca própria, o site da Shein também funciona como um mercado online onde vendedores terceirizados oferecem de tudo, desde brinquedos a eletrodomésticos e itens de decoração.

DIFICULDADES PARA A SHEIN

As ações da Shein já caíram 22% desde sua estreia na bolsa em 1º de setembro, à medida que os investidores perceberam o impacto negativo que as taxas de 3 euros da União Europeia sobre pacotes ‌de comércio eletrônico de baixo valor tiveram em seus negócios na ​região.

E a Shein enfrentará mais dificuldades, já que a UE imporá uma taxa adicional de processamento de 2 euros a partir de 1º de novembro, elevando a taxa total para 5 euros por código aduaneiro individual.

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‘A forma como essas tarifas são implementadas ⁠é especialmente prejudicial para a Shein’, ​disse Mike Ryan, chefe de ​insights de comércio eletrônico da Smarter Ecommerce, que acompanhou como a Shein reduziu seus gastos com visibilidade no Google Ads na ⁠Europa.

A Shein era conhecida por vender vestidos de US$5 ​e calças jeans de US$10, mas foi obrigada a aumentar seus preços depois que os EUA e, posteriormente, a Europa fecharam as brechas nas leis alfandegárias.

A presidente-executiva Sky Xu afirmou no mês passado que a Shein desenvolveria ​mais marcas com preços mais elevados, numa tentativa de aumentar a rentabilidade.

A Shein também continua sob investigação da Comissão Europeia devido a produtos ilegais em seu marketplace. No ​ano passado, a empresa foi ⁠multada em 150 milhões de euros pela autoridade francesa de proteção de dados pelo uso indevido de cookies.

Não é a primeira vez que a ⁠FTC toma medidas contra varejistas online por causa de entregas.

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A empresa norte-americana Fashion Nova foi multada em US$9,3 milhões em 2020 por não cumprir as promessas de entrega aos clientes e por oferecer cartões-presente em vez de reembolsos.

A Hey Dude, empresa pertencente à Crocs Inc., também foi multada em US$1,95 milhão em 2023 por não notificar os clientes sobre atrasos na entrega e por suprimir avaliações negativas.

(Por Helen Reid e Jody ​Godoy)

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