Samsung e SK Hynix estão atualizando suas fábricas de chips de memória na China para produzir componentes mais avançados. O movimento visa conter o avanço de uma rival chinesa e atender à crescente procura por infraestrutura de inteligência artificial (IA).

A informação foi apurada pela Reuters com quatro pessoas familiarizadas com os planos. As duas empresas confirmam que as atualizações estão em andamento e ocorrem em consulta com o governo dos Estados Unidos, mas não divulgam detalhes sobre os planos de produção.

Atualização dos chips NAND nas fábricas chinesas

As duas companhias trabalham para fabricar chips de memória flash NAND com mais de 200 camadas em suas unidades na China. Esses componentes ainda ficam aquém dos produzidos nas plantas sul-coreanas das empresas. Chips NAND são um tipo de memória que retém dados sem energia elétrica e são amplamente usados em smartphones, computadores e unidades de armazenamento de estado sólido para centros de dados de IA. Quanto mais camadas, maior a densidade de armazenamento e menores os custos.

A Samsung opera uma fábrica em Xian, no noroeste da China, que responde por cerca de 40% de sua produção global de chips NAND. A unidade fabrica atualmente componentes com cerca de 200 camadas. Num projeto chamado internamente de “Monami”, do francês “meu amigo”, a empresa está convertendo a instalação para produzir chips NAND V9 de 286 camadas. A meta é atingir uma produção mensal de 5.000 wafers em dezembro deste ano, com salto para 40.000 wafers até dezembro de 2027.

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A Samsung afirma que a atualização segue as regulamentações de exportação dos EUA. “O upgrade tem como objetivo atender à crescente procura de clientes globais, incluindo os dos Estados Unidos. A empresa não está expandindo a capacidade de produção nem construindo novas instalações de fabricação”, diz a companhia em nota enviada à Reuters.

A SK Hynix, por sua vez, pretende migrar para chips NAND com 240 camadas ou mais em sua fábrica em Dalian, no nordeste da China. Atualmente, a unidade produz componentes com 192 camadas. A empresa adquiriu a fábrica em Dalian ao comprar as operações de NAND da Intel em 2021. Segundo uma das fontes, a SK Hynix está autorizada a fabricar chips com até 240 camadas em Dalian e pode solicitar permissão a Washington para conduzir pesquisa e desenvolvimento de chips com mais de 300 camadas no local, o que serviria de base para uma eventual produção nos EUA. A empresa negocia com o governo Trump planos para construir uma nova fábrica de NAND em território americano.

Avanço da rival chinesa YMTC

O contexto das atualizações é o avanço acelerado da Yangtze Memory Technologies Co (YMTC). A empresa chinesa controlou 38,5% do mercado de chips NAND na China no segundo trimestre, ante 28% no ano inteiro de 2025, e ultrapassou a Samsung nesse segmento, segundo a consultoria Omdia. No mesmo período, a participação da Samsung recuou de 36% para 33,5%, enquanto a da SK Hynix caiu de 20% para 17%.

O portfólio da YMTC é composto majoritariamente por chips de 160 e 232 camadas, mas a companhia também produz uma pequena quantidade de chips de 294 camadas e planeja fabricar produtos com mais de 300 camadas. Fora da China, a Samsung vende chips NAND com até 286 camadas e apresentou um protótipo com mais de 400 camadas em agosto. A SK Hynix comercializa chips de até 321 camadas.

Restrições regulatórias dos EUA

Desde 2022, quando os EUA passaram a impor controles de exportação sobre equipamentos de fabricação de chips em resposta ao avanço tecnológico da China, a questão de quanto investir nas operações chinesas se tornou um dilema para as gigantes sul-coreanas. As duas companhias precisam solicitar licenças americanas anualmente para instalar equipamentos de origem americana, como máquinas de etching, em território chinês.

Em 2025, o Escritório de Indústria e Segurança (BIS) do Departamento de Comércio dos EUA disse que não pretendia conceder licenças para atualização tecnológica ou expansão de capacidade nas fábricas de chipmakers estrangeiros na China. O mesmo órgão não respondeu diretamente às perguntas da Reuters sobre o status das aprovações para as sul-coreanas. A agência se limitou a reiterar que pretendia conceder licenças para que as empresas operem suas fábricas existentes na China, mas não para expandir capacidade ou atualizar tecnologia. A Reuters não conseguiu determinar em que medida as autoridades americanas concederam licenças de exportação para os equipamentos necessários às atualizações planejadas.

As ações da Samsung e da SK Hynix encerraram nessa terça-feira (21) com alta de 6% cada, após a publicação da reportagem.

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