(Foto: Eric Lee / Reuters)
" data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/11/midterms-eua-eleicoes-voto-america-01.jpg?fit=1100%2C700&quality=70&strip=all" />A expressiva vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos alterou o cenário político em Washington e levou bancos de Wall Street a revisar suas expectativas para a economia, os mercados e setores ligados à inteligência artificial.
Relatórios divulgados nesta quarta-feira por Goldman Sachs e Morgan Stanley apontam que os democratas conquistaram maiorias mais amplas do que o esperado tanto na Câmara quanto no Senado, fortalecendo seu poder de negociação com a Casa Branca.
Os democratas garantiram o controle do Senado e da Câmara com números acima do esperado pelo mercado nas semanas que antecederam a votação.
Para os estrategistas dos bancos, o resultado reduz o peso de alas mais radicais dentro da bancada democrata e aumenta a capacidade do partido de atuar de forma coordenada em negociações sobre orçamento, teto da dívida e gastos públicos.
O Goldman Sachs avalia que os democratas devem usar os próximos prazos fiscais para pressionar por recuos em cortes de gastos aprovados anteriormente, além de buscar limitações a ações militares envolvendo o Irã e a reversão de parte das tarifas comerciais implementadas nos últimos anos.
No campo econômico, a leitura predominante é de que o resultado não altera significativamente o cenário de crescimento dos Estados Unidos, mas reduz alguns riscos de aperto fiscal. O Morgan Stanley vê espaço para que cortes em programas como Medicaid e SNAP sejam adiados ou suavizados, o que poderia oferecer suporte adicional ao consumo das famílias em 2027. O banco estima que esse movimento poderia acrescentar até 0,4 ponto percentual ao consumo pessoal no próximo ano.
Para o mercado de renda fixa, apesar de haver algum espaço para menor aperto fiscal em algumas áreas, a mudança de comando no Congresso elimina a possibilidade de novas medidas fiscais aprovadas exclusivamente pelos republicanos a partir de 2027, reduzindo um importante risco de aumento da necessidade de financiamento do Tesouro americano. O Morgan Stanley avalia que isso tende a favorecer os títulos públicos de prazo intermediário e contribuir para juros mais baixos do que em cenários alternativos.
O principal foco de preocupação dos investidores, porém, está no setor de inteligência artificial e infraestrutura digital. Tanto Goldman Sachs quanto Morgan Stanley destacam que uma série de vitórias democratas em governos estaduais amplia os riscos de restrições à construção de data centers, especialmente no Texas, estado responsável por cerca de um quarto da expansão planejada da capacidade de data centers nos Estados Unidos.
A eleição da democrata Gina Hinojosa para o governo do Texas foi apontada como um dos eventos mais relevantes para o setor. Durante a campanha, a governadora eleita defendeu uma moratória temporária para novos data centers até a aprovação de regras mais rígidas relacionadas ao consumo de energia, uso de água, incentivos fiscais e impactos sobre comunidades locais. O Morgan Stanley afirma que a mudança aumenta a incerteza para diversos projetos ligados à expansão da infraestrutura de IA.
Apesar disso, o banco ressalta que o ciclo de investimentos em inteligência artificial permanece intacto. A expectativa é que eventuais restrições sejam localizadas e provoquem uma redistribuição geográfica dos investimentos, em vez de uma desaceleração significativa dos gastos do setor. O impacto seria mais relevante sobre o sentimento dos investidores do que sobre os lucros das grandes empresas de tecnologia no curto prazo.
Nos mercados, o Morgan Stanley vê potencial para volatilidade adicional no curto prazo, especialmente entre empresas ligadas a data centers, geração de energia e infraestrutura para inteligência artificial. Ainda assim, a instituição manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) em ações globais em relação à renda fixa, argumentando que os principais motores para os mercados continuam sendo os resultados corporativos, os preços do petróleo e a trajetória dos juros, e não as mudanças no equilíbrio político do Congresso.
Na avaliação do Goldman Sachs, embora a vitória democrata aumente sua capacidade de influenciar discussões fiscais e comerciais, o resultado não deve produzir mudanças drásticas em temas como regulação federal da inteligência artificial, uma vez que eventuais projetos continuariam dependendo de apoio bipartidário e poderiam enfrentar vetos presidenciais. O banco considera que os impactos mais relevantes deverão surgir nos níveis estadual e local, onde governos democratas tendem a adotar postura mais rigorosa em relação à expansão de data centers.
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