A parceria entre a empresa de biometria Bepass e a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo resultou em mais de 240 prisões desde o início da colaboração, em 2023. O caso foi apresentado como um dos destaques da Futurecom nessa terça-feira (6), durante o painel “Estádios -futebol e segurança do início ao fim”.
A solução funciona por reconhecimento facial em eventos esportivos e permite que a Polícia Militar identifique e capture criminosos durante a entrada nos estádios. Segundo o tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a maioria dos detidos cumpria pena em regime aberto. “Hoje é quase nula as vezes que os criminosos identificados não são capturados”, indica Vilardi.
O projeto tem origem em uma iniciativa do diretor-executivo (CEO) da Bepass, Ricardo Cadar, movida inicialmente pela experiência do torcedor. Cadar explica que, durante a pandemia da Covid-19, ele propôs ao Atlético Mineiro, usar biometria facial para verificar se torcedores estavam vacinados. A ideia não avançou, mas o protótipo permaneceu com ele.
O passo decisivo veio quando o Palmeiras realizou uma semifinal em seu próprio estádio, hoje conhecido como Arena Nubank, e torcedores com assinatura do clube ficaram sem ingresso por causa do cambismo. Cadar então apresentou sua solução de biometria ao clube.
“A Leila Pereira [presidente do Palmeiras] identificou na tecnologia uma oportunidade de combater o cambismo. Embora a biometria facial já fosse utilizada, sua aplicação em uma escala compatível com o público de um estádio de futebol é inédita no mundo”, contou o executivo. A implementação também agilizou o acesso aos eventos: após a adoção da tecnologia, a entrada ficou três vezes mais rápida.
Parceira com a segurança pública
O sucesso com o Palmeiras abriu caminho para a parceria com a Polícia Militar. Desde então, o sistema foi utilizado em 200 eventos. Vilardi cita um caso emblemático, em que um criminoso envolvido em tráfico internacional, natural da Bahia, foi capturado no Allianz Parque, em São Paulo, graças ao reconhecimento facial da Bepass.
O tenente-coronel explicou como a abordagem da polícia evoluiu com a tecnologia. “A operação policial sempre foi muito voltada para barreiras físicas, estrutura, tudo com custo muito alto, mas hoje é possível se preparar ao invés de remediar”, contou. O processo começou com identificação por CPF e migrou para o reconhecimento facial. Vilardi observa que a junção entre iniciativa privada e segurança pública é uma mudança significativa que deu muito certo.
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Quando o assunto é a segurança da informação, o coordenador garante que o armazenamento dos dados capturados permanece sob responsabilidade da instituição policial. “A gestão dessa informação fica com a rede pública”, declarou. Ele ainda acrescentou que o estado tem cerca de 300 mil criminosos cumprindo pena em regime aberto e que a tecnologia da Bepass foi um grande impulsionador no monitoramento desse grupo.
Cadar sinalizou que o Brasil está na vanguarda global neste campo. “Hoje, o País está muito à frente, não existe hoje, globalmente, nenhuma lei como fornecida nacionalmente, que obrigue o uso de biometria facial em eventos esportivos”, disse o executivo. O projeto e a afirmação têm base na Lei do Esporte, sancionada em 14 de junho de 2023.
A Bepass já opera nos ingressos do Palmeiras e do Bahia, jogo que acontece na próxima semana. O próximo passo previsto é ampliar a parceria para eventos para além dos esportivos. “Ano que vem, vamos ter esse mesmo sucesso em eventos culturais”, adiantou ele.
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