A Qualcomm apresentou uma queda de receita de 7%, de US$ 11,2 bilhões para US$ 10,7 bilhões, na comparação entre o terceiro trimestre de 2026 e o mesmo período um ano antes. O resultado negativo foi puxado por queda nos handsets com a crise de memórias, mas o revés foi diluído por bons retornos em IoT e em automotivo.

O recuo nos ganhos ofuscou o anúncio do seu acordo com a Starlink nesta quarta-feira, 3.

Antes da divulgação dos resultados financeiros, a empresa de semicondutores fechou a ação em US$ 173. No after market, o papel da Qualcomm na Nasdaq caiu para US$ 161 às 18h.

Resultado financeiro da Qualcomm

A receita de handsets da Qualcomm foi de US$ 5 bilhões, uma queda de 26% contra US$ 7 bilhões do terceiro trimestre de 2025, devido aos impactos e dinâmicas de preços e falta de memórias que assola a indústria de celulares.

O setor Automotivo quase dobrou (89%), de US$ 1,05 bilhão para US$ 1,99 bilhão, em um movimento puxado pela demanda crescente de conteúdo computacional veicular. Por sua vez, o segmento de IoT registrou US$ 1,9 bilhão, um incremento de 4% contra US$ 1,8 bilhão na comparação do ano a ano, devido o avanço em redes industriais e robótica. Juntos, Automotivo e IoT cresceram 28% em faturamento no período.

A parte de licenciamento caiu 7%, de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,3 bilhão.

O lucro antes das taxas (EBT) recuou 61%, de US$ 3 bilhões para US$ 1,1 bilhão. E o lucro líquido foi de US$ 1,2 bilhão, revertendo um prejuízo de US$ 3,1 bilhão quando teve desvalorização de ativos e um encargo fiscal não esperado no terceiro trimestre de 2025.

Futuro

Qualcomm

Imagem de cockpit digital da Qualcomm (divulgação)

Como resposta para a crise de memórias, Cristiano Amon, CEO da companhia, afirmou que a Qualcomm está aplicando aumento na casa dos dois dígitos em seus produtos, algo que será adicionado gradualmente às margens das empresas nos próximos trimestres. Também explicou que o mercado de smartphones chinês chegou ao seu ponto mais baixo de receita no terceiro trimestre de 2026, mas espera gerar ganhos de duplo dígito no próximo trimestre.

Adicionalmente, Akash Palkhiwala, CFO e COO da Qualcomm, reconheceu que a participação da Qualcomm nos próximos lançamentos da Apple será cada vez menor nos próximos anos, abaixo da estimativa anterior de 20% de presença, uma vez que a fabricante caminha para desenvolver seus próprios chips. Em conversas com analistas na noite desta quarta-feira, 4, o executivo explicou que o crescimento de receita sem contar smartphones (IoT, automotivo e data centers) deve ser superior a 60% no próximo ano, o suficiente para cobrir a redução da Qualcomm em devices Apple.

Amon disse que a Qualcomm já fechou dois grandes contratos em chips para data centers customizados para hyperscalers globais, algo que começará a ser faturado em dezembro e entrará como unidade de negócio dedicada a partir de 2027. E o setor automotivo deve gerar receita anualizada de até US$ 7 bilhões no fim do atual ano fiscal, pois a companhia tem contratos com a estratégicos com BMW e Stellantis.

Qualcomm e Starlink

Qualcomm; Starlink

(divulgação)

A Starlink escolheu a Qualcomm para fornecer chipsets voltados à sua expansão em redes terrestres nos Estados Unidos. O equipamento a ser fornecido é o Qualcomm Dragonwing QRU100 e QDU100, uma tecnologia que combina capacidade de Massive MIMO, tecnologia terrestre, processamento com eficiência de energia para apoiar a implementação dos equipamentos de rede em escala nacional.

A instalação dos equipamentos deve acontecer no começo de 2027. É esperado que a Starlink instale milhares de equipamentos para avançar com sua estratégia de D2D. O acordo com a Qualcomm é plurianual.

Vale lembrar que a empresa de satélites anunciou neste ano um acordo para comprar 800 MHz (14 MHz de banda) nacional da gestora Grain Management em outubro deste ano, em valores não confirmados. Em setembro de 2025 foi a vez da EchoStar vender as licenças AWS-4 e bloco H por US$ 17 bilhões.

Movecomm

O presidente da Qualcomm na América Latina, Luiz Tonisi, é um dos palestrantes do Movecomm 2026, evento sobre conectividade no mercado automotivo organizado por Mobile Time e Teletime na próxima quinta-feira, 5.

Outro executivo da fornecedora que participará do evento é Maximiliano Martinhão, diretor sênior de relações governamentais, que estará no painel Mobilidade urbana em tempos de Inteligência Artificial, ao lado de Cassiano Rusycki, diretor de negócios, Prodata e de Ivan Moraes, diretor de planejamento e projetos, CET São Paulo.

Com participações de executivos de operadoras, setor automobilístico,  fornecedores de tecnologia e representantes do governo, o Movecomm acontece no Senai Vila Mariana (Rua Gandavo, 550 – Vila Mariana, São Paulo /SP ) entre 9h e 17h40 da quinta-feira.

A agenda completa do evento pode ser vista aqui.

Para mais informações entre em contato com eventos@mobiletime.com.br ou Whatsapp – 11 3138.4619.