Fazer cada colaborador entender o impacto do próprio trabalho é a aposta da Razonet para cuidar da cultura, e foi essa estratégia que levou a contabilidade digital ao topo do ranking GPTW TI 2026 entre as pequenas empresas. A companhia não aparecia na lista do ano passado e assumiu a primeira posição em sua categoria nesta edição.

A Razonet nasceu em 2015, idealizada por Odivan Cargnin, especialista em mercado financeiro e atual CEO, e por Valdenir Menegat, especialista em contabilidade. A proposta era oferecer serviços contábeis em uma plataforma 100% digital, sem papelada e sem visitas presenciais ao contador. A empresa chegou oficialmente ao mercado em janeiro de 2019 e hoje atende microempreendedores individuais (MEIs) e empresas do Simples Nacional, com operação em Santa Catarina e colaboradores em diferentes cidades e estados, graças ao trabalho remoto.

“Nosso diferencial é garantir que todos compreendam o impacto do seu trabalho: não se trata apenas de mais uma tarefa, mas de cumprir o propósito de apoiar os empreendedores brasileiros”, afirma Jennifer Pradella, gestora de Pessoas e Cultura da Razonet, em entrevista ao IT Forum. Segundo ela, confiança, transparência e colaboração orientam as relações da empresa, a começar pelo time. “Uma das coisas que mais ficam claras na nossa rotina é que ninguém enfrenta um desafio sozinho.”

Um conjunto de práticas, não uma fórmula

Para a executiva, nenhuma iniciativa isolada explica o resultado. “Não vejo que práticas de feedback, endomarketing, avaliações de desempenho, onboarding, treinamentos e benefícios, por si só, tenham nos feito chegar a essa premiação, mas sim todas elas em conjunto, adaptadas à nossa realidade, e o reforço constante nas comunicações sobre o porquê de fazermos o que fazemos”, diz.

Na prática, a Razonet faz avaliações de desempenho e planos de desenvolvimento individuais a cada semestre, mantém uma rotina de feedbacks frequentes, oferece treinamentos internos e trabalha com metas alinhadas à entrega de cada profissional. Os processos seletivos são conduzidos com a liderança, e, no primeiro dia, o novo colaborador conhece a história da empresa e todos os setores. As conquistas, como um cliente novo ou uma meta batida, são celebradas no dia a dia, e o calendário inclui uma premiação anual dos destaques do ano e um evento de alinhamento da cultura que reúne todo o time.

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A escuta também faz parte da rotina. Os líderes promovem reuniões mensais com as equipes, em que apresentam resultados e abrem espaço para sugestões. Quando há mudanças em processos ou na estrutura, a área de Pessoas e Cultura ouve times e colaboradores individualmente para apoiar os ajustes. O exemplo mais recente é a revisão da missão, da visão e dos valores da empresa, feita por sugestão do CEO com a participação de todos os colaboradores. “Quem vai colocar isso em prática no dia a dia são as pessoas”, justifica Jennifer.

Prazos apertados sem correria

O setor contábil exige precisão e atualização constante, ainda mais com a reforma tributária. Segundo a gestora, o equilíbrio começa pela organização: as demandas são distribuídas de forma equilibrada e os prazos de cada cliente ficam visíveis com antecedência, para que a rotina não dependa de esforço de última hora. A plataforma da empresa, com automações e inteligência artificial, reduz o trabalho repetitivo e libera o time para tarefas de análise.

As celebrações também ajudam a aliviar a pressão. “Cada fechamento entregue, cada conquista e cada desafio superado é comemorado pelo time. Isso marca o fim de um ciclo, alivia e renova a energia para o próximo. Somos muito bons em celebrar!”, conta.

O maior desafio de talentos, na avaliação de Jennifer, é encontrar profissionais de contabilidade adaptados à tecnologia e à IA. Por isso, a Razonet aposta em pessoas em início de carreira com familiaridade com o mundo digital e estruturou o onboarding para dar a base técnica necessária. “Remuneração e benefícios competitivos são a base, mas o que mais retém é o clima e a cultura”, afirma.

O próximo passo é a comunicação. Com o crescimento da empresa e parte do time em trabalho remoto, a troca que antes acontecia naturalmente pela proximidade precisa de novos formatos. “Nenhuma organização é perfeita no que diz respeito à cultura, principalmente porque ela é construída e reforçada todos os dias”, diz a gestora.

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