Cerca de 40% dos executivos afirmam que suas organizações já enfrentaram impactos relevantes por não conformidade com regulações, segundo o “Panorama Setorial Global: Governança, Compliance e Transformação Digital”, levantamento da SoftExpert, multinacional especializada em software de conformidade, governança e gestão empresarial. A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (25).
O estudo também revela que 23% das empresas precisam gerenciar crises de não conformidade entre uma e três vezes por ano. O dado aponta uma recorrência preocupante; as falhas não são episódios isolados, mas parte de um padrão estrutural na gestão corporativa.
Desconhecimento interno e sistemas legados
Um ponto que chama atenção no levantamento é o nível de desinformação interna: 41% dos entrevistados não sabem dizer se suas empresas foram ou não afetadas por não conformidades. A ausência de visibilidade operacional é interpretada como um desafio crítico de monitoramento.
Entre os obstáculos à evolução do compliance digital, a falta de acesso a ferramentas tecnológicas não lidera a lista. Os principais entraves são a baixa cultura digital, mencionada por 64% dos participantes, e o uso de sistemas desatualizados e não integrados, citado por 62%. Essa combinação cria ecossistemas de dados fragmentados que impedem uma visão unificada dos riscos corporativos em tempo real.
A CEO da SoftExpert, Josiani Silveira, avalia que o problema central está no comportamento organizacional. “Observamos que o maior gargalo é trabalhar a cultura da empresa em relação à transformação digital. A grande maioria das organizações em setores críticos ainda tenta gerenciar riscos complexos com ferramentas ultrapassadas ou com falta de integração, expondo os negócios a inúmeras vulnerabilidades” observa ela.
Prioridades das empresas para os próximos anos
O levantamento traça também as prioridades que devem dominar a agenda executiva nos próximos anos. A melhoria da gestão de riscos e a capacitação de equipes para a transformação digital lideram as intenções, cada uma mencionada por 58% dos participantes. Na sequência, os executivos apontam:
- Ampliação da rastreabilidade: 55%;
- Implementação de sistemas integrados: 41%;
- Redução de custos: 35%;
- Aumento da automação de auditorias: 24%.
A agenda de sustentabilidade também emerge como fator de aceleração: 34% das companhias afirmam que as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) já impulsionam a digitalização dos processos de compliance.
Complexidade regulatória global
O cenário descrito pela pesquisa da SoftExpert encontra respaldo em outros dados de mercado. Segundo a PwC, 85% das empresas relataram aumento relevante na complexidade regulatória nos últimos três anos. Já o Gartner indica que a ausência de governança integrada é a principal razão pela qual apenas 48% das iniciativas de transformação digital atingem suas metas de negócio, gerando riscos não mapeados e retrabalho.
Para Silveira, a mudança de postura em relação ao compliance é condição para crescer na próxima década. “Para as empresas que desejam liderar a próxima década, o compliance precisa deixar de ser encarado como um mero centro de custo ou obrigação burocrática para se tornar um verdadeiro ativo de performance. A governança integrada com o ambiente digital é a infraestrutura indispensável que permite às organizações escalar a inovação com segurança” afirma ela.
O estudo combinou entrevistas executivas, pesquisa quantitativa e análise de dados de mercado, com participação de profissionais em cargos de diretoria e nível C em empresas do Brasil, dos Estados Unidos, do México, do Canadá e da Austrália, entre outros países. Os setores representados incluem farmacêutico, serviços financeiros, automotivo, manufatura e alimentos e bebidas. A pesquisa contou com a colaboração da CIAL Dun & Bradstreet, referência global em dados comerciais.
Leia o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

