A Qualcomm vai promover demissões em escala global como parte de uma redução focada em desempenho, anunciada após o ciclo anual de avaliações de funcionários. O CEO, Cristiano Amon, comunicou a decisão em um memorando interno enviado nessa segunda-feira (19), conforme a Reuters, que teve acesso ao documento. As notificações aos funcionários afetados começam em novembro.
Segundo a Reuters, o memorando não especificou quantos postos de trabalho serão eliminados, e a agência não conseguiu apurar a dimensão dos cortes imediatamente. A Qualcomm não respondeu a pedidos de comentário sobre o assunto.
Cultura de desempenho como justificativa
Amon afirma no memorando que os cortes fazem parte de um esforço para construir “uma cultura de desempenho mais forte” e endereçar situações em que a empresa “ficou consistentemente aquém das expectativas”. Prioridades de negócios, necessidades organizacionais, habilidades e experiências serão levadas em conta na seleção dos demitidos.
Leia também: Empresas brasileiras atrasam modernização em 43% apesar do avanço da IA
“À medida que expandimos os negócios, expandimos também as competências e habilidades que exigimos”, escreve o executivo. “Precisamos ter as pessoas certas nas funções certas, para que possam ter o melhor desempenho e a empresa possa continuar prosperando.”
Queda nas vendas de eletrônicos
Um dos maiores fabricantes de chips para smartphones do mundo, a Qualcomm foi impactada em 2026 pela queda nas vendas de eletrônicos de consumo. O encarecimento dos preços de memória pesou sobre a procura em mercados relevantes para a companhia.
O desempenho das ações reflete o cenário adverso: os papéis acumulam alta de apenas 1,5% em 2026, contra ganhos superiores a 12% do índice S&P 500 (SPX) e de quase 60% do Philadelphia Semiconductor Index (SOX) no mesmo período. Na terça-feira (20), as ações chegaram a cair cerca de 0,5% antes de reverterem para alta de mais de 1%.
Expansão além dos smartphones
No relatório de resultados divulgado no fim de julho, a Qualcomm projetou lucro trimestral abaixo das estimativas de analistas e informou que a receita proveniente de produtos da Apple cairia mais rapidamente do que o esperado. A empresa também sinalizou que o crescimento em centrais de dados e outros negócios fora do segmento de aparelhos móveis mais do que compensaria a perda de receita até o ano fiscal de 2027.
A companhia prevê que a maioria de suas vendas de chips venha de negócios além dos smartphones em 2027, à medida que avança na expansão para o mercado de inteligência artificial (IA) em centrais de dados. A Qualcomm tinha cerca de 52 mil funcionários globalmente em setembro do ano passado, a maioria em regime de tempo integral.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

