A PX Data passa a se apresentar ao mercado como Luria co. e coloca sua plataforma de inteligência artificial (IA) no centro da estratégia. Fundada no Rio de Janeiro em 2019, a companhia reúne informações dos sistemas das empresas clientes e permite consultá-las com diferentes modelos de IA. A proposta é que, ao trocar de modelo, a organização não precise configurar novamente quais informações a IA deve considerar, quais regras deve seguir e o que cada usuário pode acessar.

“Os clientes já passaram a conhecer mais Luria do que PX Data. O produto começou a ficar maior que a empresa”, afirma Thaiza Oliveira, gerente de marketing de produto da Luria.

A plataforma passou, assim, a dar nome à companhia que a criou. Luria co. identifica a empresa no mercado, enquanto Luria reúne a plataforma e suas soluções. Nos contratos e documentos legais, permanece o nome PX Data.

A companhia chama sua proposta tecnológica de Enterprise Intelligence Layer, ou camada de inteligência empresarial. A ideia é manter, em uma estrutura que diferentes modelos de IA possam consultar, o significado dos termos usados no negócio, as regras da organização e as permissões de acesso aos dados. Essa estrutura também serve de base para agentes de IA, programas que utilizam informações e ferramentas para executar tarefas.

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Uma camada entre os dados e os modelos de IA

As organizações podem construir uma arquitetura própria para conectar seus dados a modelos de IA, segundo Caio Ferreira, responsável pelo time de marketing da Luria. O argumento da companhia para oferecer essa estrutura pronta está no tempo e nos recursos necessários para desenvolvê-la.

“Quando se conectam dados dispersos a um modelo de IA, é quase como disponibilizar o Google Drive para leitura pelo modelo. As informações não estão organizadas”, afirma Ferreira, em entrevista ao IT Forum.

Além da conexão, é preciso organizar as informações, estabelecer um vocabulário comum e definir quais documentos são oficiais e quais dados cada usuário pode acessar. “É preciso desenvolver uma interface para os usuários, criar o contexto e a biblioteca de sinônimos”, explica Ferreira.

Segundo ele, a plataforma reúne essas funções e permite gerar análises e painéis por meio de conversas, além de compartilhar os conteúdos e trabalhar de forma colaborativa.

A aposta comercial é concentrar esse desenvolvimento em um fornecedor dedicado. Ferreira reconhece que as organizações podem construir os componentes internamente, mas ressalta o esforço necessário.

Escolha de modelos e controle de custos

Segundo a equipe da Luria, a plataforma utiliza modelos de fornecedores como OpenAI e Google e pode selecionar qual acionar conforme a complexidade da solicitação. Perguntas simples podem ser direcionadas a modelos menos robustos, enquanto análises complexas demandam maior capacidade de processamento.

O usuário também pode escolher o modelo e configurar o nível de profundidade da resposta. Essa decisão interfere no consumo de tokens, unidades de processamento utilizadas pelos modelos e que compõem o custo de uso.

A companhia afirma oferecer um módulo de observabilidade para acompanhar consumo, usuários e tipos de utilização. A proposta é dar ao administrador informações para controlar despesas e avaliar como a plataforma está sendo usada.

A independência em relação aos modelos, portanto, é apresentada como uma forma de manter o contexto corporativo enquanto a organização altera a tecnologia responsável pelas respostas. Essa proposta não equivale, por si só, à independência em relação ao fornecedor da plataforma.

No uso de agentes capazes de executar tarefas, a equipe afirma que a autonomia depende das permissões concedidas pelo usuário e das regras de negócio estabelecidas na plataforma.

A Luria também menciona a participação humana em decisões que exigem aprovação. Na entrevista, porém, não detalha mecanismos de interrupção de ações ou níveis de privilégio dos agentes.

Entre as aplicações citadas está o trabalho com comentários de consumidores em lojas de aplicativos. No caso do Bradesco, segundo a companhia, a tecnologia permite responder às avaliações e analisar as manifestações para identificar problemas recorrentes e apoiar prioridades de produto.

Do produto à estratégia da companhia

A mudança de marca formaliza uma transformação que, segundo os entrevistados, já ocorria na relação com os clientes. Luria passou a ser mais reconhecida do que PX Data e ganhou espaço também nas discussões internas e nos reportes executivos.

A reorganização acontece após a rodada de R$ 15 milhões anunciada em abril de 2026, liderada pelo Bradesco Venture Capital, com participação da Vibra Ventures. Os dois grupos já conheciam tecnologias da companhia como clientes antes do investimento.

Segundo a equipe, o capital permite contratar profissionais especializados, investir em tecnologia e ampliar a experimentação. Com a nova marca, a empresa busca levar essa estrutura a diferentes problemas corporativos, da análise de dados à automação de processos.

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