A Revolut não abriu capital, não captou um dólar novo e, ainda assim, vale hoje o dobro do Nubank. O banco digital britânico concluiu nesta quarta-feira (4) uma venda secundária de ações que o avalia em US$ 115 bilhões, 53% acima dos US$ 75 bilhões de novembro do ano passado.
Glade Brook Capital Partners, Coatue, Durable Capital Partners, T. Rowe Price e Baillie Gifford lideram a operação. A Revolut não revela o volume de ações negociado, mas informa que cada papel saiu a cerca de US$ 2.017.
O número consolida a Revolut como a empresa privada mais valiosa da Europa e a coloca à frente do Nubank, seu principal rival na disputa pelo posto de maior neobanco do mundo. O roxinho vale cerca de US$ 56 bilhões na Bolsa de Nova York, quase 40% abaixo da máxima das últimas 52 semanas.
A resposta para a valorização recorde da fintech britânica está no lucro. Em 2025, a Revolut faturou US$ 6 bilhões, alta de 46%, e teve lucro antes de impostos de US$ 2,3 bilhões, 57% a mais que no ano anterior. A margem chegou a 38%.
A base de clientes também cresce em ritmo sólido. São mais de 80 milhões de clientes pessoa física em mais de 40 países, e a meta da empresa é chegar a 100 milhões até meados de 2027. Só neste ano, a Revolut lançou bancos no Reino Unido, México, Austrália e Nova Zelândia e conseguiu licenças na França, Colômbia e Argentina.
Além disso, a fintech amplia sua presença no B2B. A Revolut Business responde por cerca de 20% do lucro bruto e tem receita anualizada acima de £ 950 milhões, segundo dados que a companhia passou ao TechCrunch. O Brasil aparece na lista de próximos mercados da divisão, ao lado de México e Índia, ainda sem prazo.
A arena americana
A próxima rodada da briga entre Nubank e Revolut acontece nos EUA, e as duas chegam lá quase juntas. No começo de setembro, a Revolut recebeu aprovação condicional do OCC, o regulador bancário americano, para criar um banco em terras ianques. Dias depois do anúncio da fintech europeia, o Nubank (por lá chamado Nu) lançou sua conta no país, em evento em Miami, com a aprovação condicional que conseguiu em janeiro.
Os caminhos, porém, diferem. O Nubank já opera a Nu Account, que rende 3,5% ao ano, e mantém os depósitos no parceiro Lead Bank enquanto espera o aval final, previsto para 2027. O público latino, de cerca de 80 milhões de pessoas, deve ser a porta de entrada, mas não o teto, diz David Vélez, fundador e CEO do Nubank.
Pelas contas da empresa, o teste no mercado americano deve custar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões em até dois anos. Fora dos EUA, o roxinho lançou a Nu Global, conta multimoedas para mais de 35 países, num terreno que a Revolut ocupa há anos.
A Revolut, por sua vez, ainda depende do FDIC, do Federal Reserve e da palavra final do OCC, e planeja abrir o banco no primeiro semestre de 2027. Pela carta do regulador, precisa aportar ao menos US$ 95 milhões para cobrir os custos de abertura, e a operação de câmbio para pessoas físicas ficou fora da aprovação.
A Revolut também olha para Wall Street, mas sem pressa. Nik Storonsky, fundador e CEO, considera uma listagem dupla em Nova York e Londres, com preferência pelos EUA. O IPO, que segundo a imprensa internacional pode avaliar a empresa em US$ 200 bilhões, não deve sair antes de 2028.
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