Foto: Reprodução/Romer Saucedo/Facebook

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O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou na quarta-feira (4) que deixou o país um dia depois do Ministério Público emitir contra ele ordem de prisão por “tráfico de substâncias controladas e associação criminosa”. O tribunal é a mais alta instância da Justiça comum boliviana. As questões constitucionais ficam com o Tribunal Constitucional Plurinacional.

Em publicação no X, Saucedo afirmou ter tomado a decisão “mais dura da sua vida” e disse que será mais útil fora da Bolívia, do que “estando em uma prisão ou morto”. “Deixei o país e estou com toda a minha família no exílio”, escreveu. Ele acusou o governo de Rodrigo Paz de “tentativas de perseguição e intimidação”. “Sei que vão forjar provas para me desacreditar”, escreveu.

O procurador-geral interino, José Armando Urioste, nomeado pelo Congresso após a prisão do antecessor, não detalhou a participação de Saucedo nos crimes.

Segundo Urioste, as investigações “seguirão o seu curso”, e correm sob sigilo porque contam com a colaboração de testemunhas. O paradeiro do magistrado de 38 anos é desconhecido. 

Urioste também indicou que Saucedo voltou à Bolívia nesta semana, depois de uma viagem ao exterior, e que não há registro migratório de nova saída. Por isso, a suspeita do MP é que ele tenha deixado o país por terra.

O gabinete vai pedir à Interpol que emita um alerta vermelho para busca internacional. “Temos de acionar esses alertas internacionais para evitar que ele saia ou entre na Bolívia”, afirmou.

Segundo Rodrigo Paz, Saucedo “deixa o país porque há uma série de acusações ou investigações sobre o nosso modelo de sistema judiciário”. A fala foi feita em um encontro empresarial na Espanha antes da cúpula Ibero-Americana. O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, ligou a fuga ao caso do ex-procurador-geral, Roger Mariaca. “Muitos dos cúmplices de Mariaca e da criminalidade estão fugindo”, disse à imprensa local.

Desde outubro, vários altos funcionários do Judiciário boliviano foram presos por supostos vínculos com o narcotráfico. Mariaca foi detido dias depois de os Estados Unidos cancelarem o seu visto, e de outros funcionários e empresários da Bolívia, da Colômbia, do Peru e do Equador. 

O governo americano acusa o ex-procurador de receber subornos para “facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça”. Na tarde de quarta-feira, os juízes do tribunal boliviano nomearam a decana Rosmery Ruiz como presidente interina, diante da ausência temporária de Salcedo.

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