Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva, a candidate for reelection for the Workers’ Party (PT), attends a campaign rally in Brasilia, Brazil, September 16, 2026. REUTERS/Adriano Machado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final do segundo turno enfrentando um fenômeno que tem se repetido em diferentes países, baseado na dificuldade de governantes em transformar a vantagem de ocupar o cargo em apoio suficiente para conquistar um novo mandato. É o que a pesquisadora Cila Schumann, do Instituto Ideia, chama de “maldição do incumbente”.

A expressão descreve o desgaste enfrentado por quem já está no poder, especialmente em um ambiente de forte polarização, expectativas elevadas e insatisfação com o custo de vida. Mesmo quando apresentam resultados positivos em determinadas áreas, governos encontram dificuldades para convencer a população de que suas condições de vida melhoraram.

Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (23), Cila afirmou que o fenômeno ajuda a compreender a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcada pelo equilíbrio nas pesquisas e pela resistência de parte do eleitorado à continuidade do atual governo.

“É uma eleição desde o início que eu chamo de uma eleição de oposição, com a maldição do incumbente, que é uma maldição que tem viajado por muitos países, por muitas eleições ultimamente”, afirmou.

Segundo ela, o principal obstáculo de Lula foi não conseguir ampliar de maneira significativa sua aprovação durante a campanha.

“Antigamente a gente sempre falava: o incumbente, como ele tem a caneta, como ele tem uma série de vantagens, vai crescendo a sua aprovação durante a campanha. Isso não aconteceu com o presidente Lula”, disse.

Por que estar no poder deixou de ser uma vantagem?

Tradicionalmente, presidentes que disputam a reeleição contam com vantagens importantes. Além da exposição proporcionada pelo cargo, podem apresentar realizações de governo, anunciar políticas públicas e recorrer à experiência administrativa como argumento para a continuidade.

O problema, segundo Cila, é que essas vantagens perderam parte de sua capacidade de mobilização em sociedades profundamente divididas.

Quando um presidente é eleito por uma margem estreita, começa o mandato com uma parcela expressiva da população contrária à sua eleição. A dificuldade de conquistar esses eleitores ao longo dos quatro anos limita o crescimento de sua base política.

“Como os presidentes têm sido eleitos por uma margem muito pequena de votos, eles têm dificuldade, durante o mandato, de falar com aquela metade que não aceita que ele seja o presidente. Então a gente não consegue mais voltar da polarização”, explicou.

A pesquisadora avalia que Lula enfrentou esse problema ao longo do terceiro mandato, sem conseguir atrair uma parcela relevante dos eleitores identificados com Jair Bolsonaro.

Na avaliação dela, a estabilidade da desaprovação ao governo durante a campanha tornou mais difícil transformar medidas administrativas e anúncios de benefícios em novos votos.

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