A Ploomes está investindo R$ 25 milhões no desenvolvimento do Estúdio IA Ploomes, uma nova arquitetura de software que permite à inteligência artificial criar telas, integrar sistemas e registrar automaticamente o histórico de interações entre vendedores e clientes. A solução será apresentada ao mercado em outubro de 2026.

A empresa se posiciona como a maior empresa de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) da América Latina e afirma que a novidade pode reduzir em até 80% o tempo de implementação do CRM para novos clientes, comprimindo um processo que hoje leva, em média, 4,6 meses para cerca de 28 dias.

O diferencial da arquitetura está em ir além da adição de agentes de inteligência artificial (IA) ao CRM. Em vez de tratar a IA como um assistente externo, a Ploomes a incorpora como parte da própria estrutura da plataforma. O sistema passa a criar telas operacionais, automatizar processos, integrar ferramentas e executar tarefas diretamente no ambiente, sem depender de desenvolvimento customizado ou projetos tradicionais de integração.

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As quatro frentes do Estúdio IA

A nova arquitetura se organiza em quatro capacidades principais. O Integrador permite montar fluxos de automação com agentes de IA, aplicativos e ferramentas como Slack e Gmail. O Construtor de Telas gera telas, dashboards, formulários e mini aplicações a partir de uma descrição em texto, conectadas aos dados reais da empresa, sem necessidade de desenvolvimento. O CPQ em Branco possibilita a criação rápida de modelos de propostas complexas; a IA lê arquivos da empresa para interpretar regras de precificação e transforma essas regras em campos que o vendedor preenche para gerar um orçamento já conectado ao sistema de gestão empresarial (ERP). O Radar Ploomes transcreve automaticamente todas as interações do vendedor com o cliente, incluindo chamadas de vídeo, ligações, WhatsApp, e-mail e calendário, vinculando os registros diretamente aos perfis de cada cliente.

A plataforma também incorpora um chat para administradores que permite configurar o sistema, extrair análises e realizar alterações em massa por meio de IA, como transferir carteiras de clientes entre vendedores.

O cofundador e diretor-presidente da Ploomes, Matheus Pagani, afirma que o objetivo é transformar o papel do CRM na operação comercial. “O objetivo é que a IA construa telas operacionais mais fiéis à operação do cliente, além de integrar, automatizar e alimentar o sistema. Tudo isso fará com que os colaboradores atuem de uma forma mais eficiente, sem contar que o recurso vai possibilitar uma maior concentração do tempo nas decisões e nos relacionamentos que realmente exigem atuação humana”.

Barreira à adoção de IA nas empresas

A estratégia da Ploomes busca atacar um obstáculo reconhecido no mercado corporativo; a dificuldade de converter projetos de IA em operações concretas. Uma pesquisa da Deloitte com 115 executivos brasileiros mostra que 58% das empresas implementaram, no máximo, 20% de seus projetos-piloto de IA. Apenas 23% conseguiram levar 40% ou mais desses projetos para a operação. O levantamento identifica a passagem da experimentação para a escala como um dos principais desafios das organizações.

Pagani relaciona esse cenário ao modelo atual de software, que exige que os profissionais se adaptem às ferramentas. “A inteligência artificial está mudando a forma como as empresas se relacionam com o software. Estamos saindo de uma era em que as pessoas precisam se adaptar às ferramentas para uma realidade em que o próprio software entende o contexto e a forma de trabalho de cada empresa. É essa quebra de modelo que estamos antecipando com o Estúdio IA Ploomes”, afirma.

Sobre a segurança dos dados, Pagani afirma que nenhuma informação dos clientes da Ploomes é usada para treinar os modelos de IA. “Todo o contexto trabalhando dentro de Estúdio fica restrito à própria operação dentro da plataforma, diferente do risco que muitas empresas estão enfrentando ao utilizar ferramentas de IA abertas”.

Fundada no Brasil e integrante do ecossistema da Sankhya desde 2022, a Ploomes conta com cerca de três mil parceiros entre indústrias, empresas de tecnologia e prestadores de serviços na América Latina. A redução estimada de 4,6 meses para 28 dias no processo de implementação é projetada para a maioria dos cenários de implantação, segundo Pagani.

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