Na discussão sobre o futuro da IA, as previsões costumam oscilar entre o colapso e a prosperidade sem limites. André Vellozo, CEO da Drumwave, prefere começar por outra pergunta: de quem é o dado que você produz todos os dias? Para ele, a resposta define se a IA vai incluir as pessoas na economia ou deixá-las do lado de fora.
É essa a proposta da Drumwave: permitir que usuários guardem e gerenciem seus dados como se gerencia dinheiro numa poupança. O usuário é dono do dado e o aloca num plano. Quem quiser usá-lo licencia, paga o plano, e o plano paga o dono, com saída para uma conta bancária, um fundo de educação ou um seguro. Segundo o fundador da Drumwave, um americano já consegue hoje pedir e receber US$ 25 pelo próprio dado.
No novo episódio do podcast MVP, do Startups, André explica a tese em que trabalha há dez anos. Segundo ele, o dado nasce em toda relação, do café comprado na esquina ao exame de sangue, e quem paga para processá-lo é o próprio usuário, com o celular, a conta de telefone e a energia que gasta. “Se a gente está indo para uma economia de dados, acho que nada mais justo e mais lógico do que você poder poupar seu dado”, afirma.
Na tese da Drumwave, o banco aparece como peça central. A instituição que custodia o dinheiro do cliente há 20 anos passaria a custodiar também o dado dele, e a fazê-lo render. Hoje, para analisar crédito, o banco precisa comprar dado de birôs. “Juro cresce o dinheiro e dado come o dinheiro”, diz André. No modelo da Drumwave, segundo ele, os dois crescem.
O prazo de 2027
André diz que 2027 sempre foi a meta da Drumwave, e enxerga três condições já na mesa: a convergência tecnológica trazida pela IA, consumidores que sabem que dado tem valor e governos discutindo regulação no mundo todo.
O cenário que ele desenha para o ano que vem combina liquidez e estresse. De um lado, o ciclo de IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic deve despejar dinheiro no mercado e transformar a indústria de venture capital. De outro, os EUA vão enfrentar pressão na previdência e a substituição de empregos por IA. No meio disso, falta demanda. “Ninguém está preocupado em criar demanda”, afirma, em referência ao volume de dinheiro investido em modelos, agentes e robôs.
A regulação também entra na conta. Para André, tentar regular a IA pelos resultados dos modelos é “uma perda de tempo absoluta”, porque a tecnologia atravessa setores tão diferentes quanto saúde, finanças e engenharia. O caminho, diz, é regular a entrada. “Regula o input, o dado.”
O novo podcast MVP com André Vellozo está disponível no YouTube, no Spotify e nas demais plataformas de áudio. Siga nossos perfis para receber as notificações de novidades.
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