A Omni – que criou um seguro de medicamentos que já é usado pela Azul, Light, MetLife e Spoleto – acaba de fechar uma rodada que vai financiar um plano agressivo de expansão: dobrar sua base de vidas até o final do ano que vem, chegando a uma receita de R$ 50 milhões.
A captação foi liderada pela ACNext, uma gestora de
venture capital fundada por ex-executivos da Accenture; e teve a participação de dois fundos que já estavam no
cap table: a GreenRock, das famílias fundadoras do laboratório Salomão Zoppi; e a Enseada, o
family office dos Larragoiti, da SulAmérica.
O valor da rodada não foi revelado, mas o fundador e CEO da Omni, Fernando Domingues, disse ao
Brazil Journal que no total a startup levantou R$ 30 milhões nas três rodadas que fez desde que foi fundada em 2024.
Domingues criou a Omni depois de ter sido um dos fundadores da
Conexa Saúde, a startup de telemedicina que já captou cerca de R$ 300 milhões com investidores como Goldman Sachs, General Atlantic e Vivo Ventures.
O empreendedor – que fazia parte do conselho da startup desde 2022 – vendeu sua participação a um fundo no ano passado para se dedicar 100% à Omni.
“Os dois negócios surgiram da mesma forma: vendo um
gap no mercado brasileiro quando comparado com o mercado americano de saúde,” disse ele. “Começamos com a telemedicina em 2018, quando ninguém falava nisso, porque vimos que eventualmente o Brasil teria que caminhar nesse sentido. A lógica com a Omni é parecida. Nos EUA, o mercado de seguro de medicamentos, que eles chamam de PBMs, é um mercado de trilhões de dólares. Mas no Brasil ainda é muito pequeno.”
Essa diferença de tamanho tem uma explicação: nos EUA, a cobertura de medicamentos é obrigatória pelos planos de saúde, e os PBMs – como CVS Caremark, Express Scripts, Optum Rx, e a PillPack, comprada pela Amazon – operam principalmente prestando serviço para as operadoras.
No Brasil, a cobertura de medicamentos não faz parte do rol de exigências da ANS – apesar de já terem ocorrido discussões nesse sentido.
O
pitch de venda da Omni é que facilitar o acesso a medicamentos pode evitar o agravamento de doenças, afastamentos e internações – especialmente de pacientes que tomam remédios para saúde mental ou precisam comprar antibióticos –, reduzindo os custos tanto dos empregadores quanto das operadoras.
No modelo da Omni, os empregadores e operadoras pagam um valor mensal por vida e definem quanto cada colaborador poderá gastar com remédios.
Os benefícios partem de R$ 50 mensais por pessoa e podem superar R$ 1 mil. Há planos que cobrem apenas medicamentos genéricos e outros que permitem a compra de qualquer remédio disponível nas farmácias. Quanto maior a cobertura, maior o preço cobrado da empresa.
O modelo funciona por meio de um aplicativo. O funcionário envia a receita médica e, se o medicamento estiver dentro da cobertura contratada, recebe autorização para pagar a compra via Pix da Omni. Depois, precisa enviar o cupom fiscal, que é analisado por ferramentas de AI para verificar se a compra corresponde à prescrição.
A Omni não ganha dinheiro com a venda dos medicamentos nem com comissões das farmácias. Sua receita vem da administração do risco da operação, controlando a sinistralidade e evitando fraudes.
A startup tem mais de 70 clientes hoje, que juntos somam 350 mil vidas pagas. A meta é dobrar essa base de vidas em um ano.
No mês passado, a Omni fez uma receita mensal anualizada (ARR) de R$ 26 milhões, e a expectativa é terminar dezembro com R$ 30 milhões. Para o final de 2027, a projeção é chegar a R$ 50 milhões de receita e atingir o
breakeven pela primeira vez.
No Brasil, a Omni compete com empresas como a Funcional, VidaLink e Epharma, que surgiram há anos, principalmente com a expectativa (que não se concretizou) da cobertura dos medicamentos entrar no rol obrigatório dos planos de saúde.
Fernando disse que é difícil prever se em algum momento essa regulamentação vai mudar, “mas o que sei é que se a gente conseguir provar com
cases que ajudamos os planos a evitar fraudes e diminuir os sinistros com a maior adesão aos tratamentos com medicamentos, certamente isso pode entrar no radar da ANS.”