RIO DE JANEIRO – Líderes globais que se reunirão para a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta semana deveriam estar preocupados com o risco de faltar diesel nos próximos meses.

O alerta sombrio foi dado por Patrick Pouyanné, o CEO da TotalEnergies, aqui na Rio Oil & Gas. 

Trata-se de uma crise dentro da crise.

Além da guerra no Oriente Médio atrapalhando o tráfego de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz, os constantes ataques da Ucrânia contra refinarias da Rússia levaram o país a suspender suas exportações de diesel.

“Juntando estas duas crises, há mais de 6 bilhões de barris de produtos refinados que não estão acessíveis. E isso, honestamente, é demais,” disse Pouyanné.

“Por isso, se os líderes do mundo em Nova York conseguirem resolver um dos dois conflitos, seria bom. Caso contrário… com a chegada do inverno, quando aumenta o consumo de combustíveis, receio que possamos enfrentar uma questão real de risco de suprimento.”

A decisão da China de suspender as exportações  de gasolina e diesel depois do conflito no Irã também tem contribuído para a situação de escassez.

Além do aperto na oferta, os estoques de combustíveis estão “muito baixos” e já estão sendo consumidos, disse o CEO da Total.

Ele lembrou que no início da guerra no Oriente Médio, as refinarias da Ásia, que dependiam de petróleo do Estreito de Ormuz, precisaram cortar a produção, e diversos países da região enfrentaram escassez de combustíveis.

Agora, esse risco não é só da Ásia.

Para Pouyanné, a situação no Oriente Médio mostrou a importância da diversificação geográfica da TotalEnergies. 

“Fiquei muito feliz de termos uma grande produção no Brasil para abastecer nossas refinarias na Europa.”

O País, inclusive, tem sido o maior contribuidor em geração de caixa para o grupo francês em 2026 – tanto que a TotalEnergies acaba de aumentar sua aposta no Brasil, indo além do petróleo.

A companhia exerceu uma opção de compra para ampliar sua participação na Casa dos Ventos – a empresa de geração eólica e solar de Mario Araripe – de 34% para 49%, disse Pouyanné, sem citar valores.

A TotalEnergies se associou à Casa dos Ventos em 2022, quando ela tinha apenas 1,6 gigawatt em capacidade. Desde então, a empresa de Araripe acelerou sua expansão e deve encerrar o ano com 7,5 gigawatts, tornando-se a líder do setor renovável no País.

A empresa já assinou contratos de 1 GW para fornecer energia para data centers, aproveitando a onda da AI, que a TotalEnergies também quer surfar por meio de seus investimentos em eletricidade.  

“O Brasil, para mim, é a transição perfeita de nossa estratégia. Petróleo, gás e eletricidade renovável,” disse Pouyanné. “Nossos acionistas perceberam a estratégia. Há uns anos eles tinham dúvidas; agora já não têm, porque veem a demanda crescente por eletricidade.”

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