Chega novembro e quem acompanha o ecossistema já sabe: é época de Web Summit, em Lisboa. O tradicional encontro de tecnologia, inovação e tendências chega à sua 11ª edição na capital portuguesa. Em meio a dúvidas sobre a possibilidade de o evento continuar em Portugal no futuro, a edição 2026 combina diversos temas do momento, do óbvio (IA) a pautas mais provocadoras, como o SaaSpocalypse, a competição chinesa e as inovações do Vale do Silício.
Entre 9 e 12 de novembro, a Feira Internacional de Lisboa (FIL) e a MEO Arena devem receber cerca de 70 mil pessoas, segundo Paddy Cosgrave, fundador e CEO do Web Summit. É o mesmo patamar do ano passado, quando o evento reuniu 71.386 participantes de 157 países, 2.725 startups e 1.857 investidores. Neste ano, são mais de 700 fundadores e executivos no palco, em 17 áreas temáticas.
Do óbvio ao provocador
A IA domina a pauta, mas em outra fase. Se nas últimas edições o assunto era a IA generativa, que escreve textos e cria imagens, agora o foco está na IA que age: agentes autônomos que executam tarefas em atendimento, administração e desenvolvimento de software, e a chamada IA física, que junta modelos a máquinas capazes de perceber o ambiente e se mover nele, como os robôs humanoides.
Entre os nomes anunciados estão Matthew Prince, CEO da Cloudflare, Mike Cannon-Brookes, CEO da Atlassian, Richard Socher, ligado à You.com e à Recursive, Danielle Perszyk, do laboratório de AGI da Amazon, e Michele Catasta, presidente da Replit. A agenda passa ainda por regulação, privacidade, direitos autorais e futuro do trabalho, num momento em que empresas e profissionais tentam acompanhar o ritmo dos agentes.
A soberania tecnológica deve ganhar espaço com a presença esperada de Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para o tema.
A vez da China
A soberania ganha peso com outro protagonista: a China. Tencent, Pony.ai, Manus, Xiaomi, XPENG, Hisense, AgiBot e Galbot mandam presidentes, fundadores e executivos a Lisboa, além de robôs humanoides — quatro deles estão na lista de palestrantes. O Ministério do Comércio e a Administração do Ciberespaço do país também enviam delegações.
Segundo a organização, é a maior delegação de líderes de tecnologia chineses já reunida num evento do Ocidente. “Até agora, poucos destes líderes tecnológicos chineses tinham participado como oradores em eventos no Ocidente”, afirma Paddy. “A adoção da inteligência artificial e da robótica chinesas não mostra sinais de abrandamento.”
Sotaque brasileiro
O Brasil também chega com peso. Cerca de 300 startups brasileiras devem circular pelo evento, 100 delas na missão do Sebrae e da ApexBrasil. No dia 10, às 15h30, as duas instituições anunciam as até 20 startups selecionadas para um programa de incubação em Lisboa, a partir de março de 2027.
O Startups também estará lá, com cobertura diária no site, nas redes e na newsletter. O editor da newsletter, Leandro Souza, media dois painéis. Na terça-feira (10), às 11h50 (8h50 em Brasília), no palco Corporate Innovation Summit, ele conversa com Taso Du Val, CEO da Toptal. O painel, chamado “AI’s holy grail: From uncertain systems to reliable outcomes”, discute como transformar IAs não determinísticas em resultados confiáveis para as empresas.
Na quinta (12), às 15h25 (12h25 em Brasília), no SaaS Summit, Leandro recebe Caitlin Leksana, cofundadora e CEO da Fazeshift, e Rocio Wu Dianoux, sócia da F-Prime Capital, no painel “Betting against the moat”, que discute se ainda existem fatores competitivos capazes de proteger as gigantes do software na era dos agentes e de novas startups AI-native.
Lisboa até quando?
Mesmo com toda a animação dos organizadores, o Web Summit Lisboa 2026 chega com uma dúvida: será que o evento fica em Portugal depois de 2028, quando termina o contrato de 110 milhões de euros fechado em 2018 com o governo português e a Câmara de Lisboa?
Em entrevista ao jornal português Expresso nesta semana, Paddy revelou que negocia com “a maioria das grandes cidades europeias”, sem dizer quais. “Espero que, no palco, no Web Summit de 2027, possamos fazer o anúncio”, afirma. O espaço pesa na conta: “Estamos no limite da capacidade há anos e construímos 30 mil metros quadrados de estruturas temporárias”.
Do outro lado do Atlântico, a situação é mais clara. O Web Summit Rio tem presença garantida na cidade até 2030, depois de um acordo de mais cinco edições anunciado em 2025, numa disputa em que o Rio superou São Paulo.
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