A aquisição da Go2neXt pela Ricoh começa a produzir efeitos na diversificação dos negócios e na oferta de serviços gerenciados da companhia no Brasil. Cerca de 20% a 25% da operação brasileira já vem de serviços e soluções não ligados à impressão. Com a incorporação dos resultados da Go2neXt, essa participação chega a aproximadamente 40%, segundo executivos da empresa ouvidos com exclusividade pelo IT Forum. O avanço ocorre em 16 meses desde a aquisição, concluída em maio de 2025.

A estratégia atual da empresa passa também pela ampliação da atuação da fabricante em serviços gerenciados, infraestrutura e ambientes de trabalho inteligentes. Globalmente, a Ricoh estabeleceu a meta de dobrar de tamanho nos próximos três anos, movimento que, segundo a companhia, está ligado à expansão dessas ofertas e à consolidação de seu perfil tanto como fabricante quanto integradora de soluções.

“Quando compramos empresas, buscamos efetivamente trazer essa tecnologia e esse conhecimento para dentro da companhia”, afirma Andrea Klevenhusen, presidente da Ricoh Brasil. Segundo ela, a aquisição da Go2neXt deu à operação brasileira capacidades que ainda não estavam presentes nesse segmento e ampliou a oferta para clientes existentes e novos.

Para a Go2neXt, a integração resolveu dois desafios que limitavam sua expansão como empresa independente: capacidade financeira para disputar projetos de maior porte e presença internacional.

Paulo Pichini, presidente da Go2neXt e vice-presidente de Business Transformation da Ricoh para a América Latina, conta que a empresa passou a levar projetos antes restritos ao Brasil para outros mercados. Desde a aquisição, clientes da companhia já são atendidos em países como Chile, Colômbia e Argentina. A Ricoh possui operação direta em 12 países latino-americanos e alcança mais de 30 por meio de parceiros.

“Isso realmente muda muito a forma de atuar e abre um mercado enorme para a Go2neXt”, diz Pichini. A escala também modificou a relação da empresa com fabricantes envolvidos em projetos que normalmente combinam tecnologias de diferentes fornecedores.

Os reflexos já aparecem no negócio. Nos três primeiros meses deste ano, a Go2neXt faturou praticamente o equivalente ao registrado durante todo o ano anterior, segundo Pichini. A expectativa é praticamente dobrar o faturamento no primeiro ano após a aquisição. Os valores absolutos não são divulgados pela companhia.

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Ambiente de trabalho inteligente avança no Brasil

Uma das principais frentes dessa estratégia é o Intelligent Workplace, ou ambiente de trabalho inteligente, que reúne infraestrutura de rede, áudio e vídeo, sistemas de colaboração e outros recursos digitais para ambientes de trabalho como salas de reunião, auditórios e escritórios.

Atualmente, cerca de 80 clientes estão em diferentes fases de desenho e implementação desses projetos. Segundo os executivos, a frente representa entre 30% e 35% do faturamento considerado pela Ricoh Brasil nesse segmento. Na Go2neXt, a participação chega a aproximadamente 60%, considerando também projetos internacionais originados a partir da integração com a Ricoh.

Parte da demanda acompanha a abertura e mudança de escritórios. Pichini estima que cerca de 60% dos projetos da companhia estejam relacionados a prédios novos. A decisão sobre esses investimentos, segundo ele, costuma envolver diferentes áreas das organizações, incluindo CEO, CIO e responsáveis pela infraestrutura física.

Os projetos podem ultrapassar R$ 1 milhão por ambiente e incluem desde cabeamento e infraestrutura de rede até sistemas de áudio, videoconferência, painéis e ferramentas de colaboração.

AV-NOC chega ao mercado brasileiro com monitoramento 24×7

É nesse contexto que a Ricoh começa a oferecer no Brasil o AV-NOC (Audio-Visual Network Operations Center), serviço de monitoramento 24×7 voltado à infraestrutura audiovisual dos ambientes de colaboração.

A proposta é monitorar 24×7 o funcionamento dos equipamentos e agir antes que problemas afetem os usuários. Ao final de uma reunião, por exemplo, o sistema pode testar configurações de áudio, vídeo e outros componentes da sala e corrigir remotamente determinadas alterações. Caso identifique um problema físico, como um equipamento desconectado, um alerta pode ser encaminhado para atendimento presencial.

Segundo Pichini, o AV-NOC consegue identificar antecipadamente pelo menos 80% dos incidentes que poderiam fazer com que um ambiente não estivesse disponível para a próxima reunião. “Com o AV-NOC, conseguimos automaticamente fazer isso online durante todo o tempo. Então evitamos pelo menos 80% dos incidentes de forma remota, antes que eles aconteçam”, afirma.

A operação é centralizada no Ricoh Operations Center (ROC), localizado no Uruguai, onde cerca de 300 profissionais atendem a região da América Latina. No Brasil, Pichini estima que aproximadamente 1,5 mil dispositivos estejam sendo ou já tenham sido licenciados para o serviço AV-NOC, distribuídos por algo entre 200 e 300 salas e outros ambientes. A empresa afirma que já recebeu pedidos de clientes interessados em realizar pilotos da solução.

IA monitora equipamentos e configurações

A inteligência artificial entra na análise dos dados gerados tanto pelas ferramentas de monitoramento 24×7 da Ricoh quanto pelos próprios equipamentos instalados nos ambientes. A tecnologia busca identificar mudanças de comportamento, configurações inadequadas e outros sinais capazes de antecipar falhas ou comprometer a disponibilidade das salas.

O acesso remoto, por sua vez, coloca a segurança no centro da operação. Segundo Pichini, os dados recebidos pelo AV-NOC são tratados de forma segregada dos ambientes de segurança dos clientes. As empresas também podem acessar os dashboards usados pela Ricoh para acompanhar o desempenho de seus ambientes.

Embora o serviço esteja chegando agora ao Brasil, o modelo não surgiu a partir da aquisição da Go2neXt. A Ricoh já utiliza a tecnologia globalmente há mais de cinco anos. O conhecimento incorporado com a compra da brasileira Go2neXt e da chilena VideoCore, no entanto, ajudou a acelerar a adaptação da oferta às particularidades do mercado latino-americano e sua expansão pela região.

A estreia no Brasil materializa, assim, uma estratégia que a Ricoh pretende ampliar na América Latina: combinar sua estrutura global com as competências incorporadas por meio de aquisições locais. É a partir dessa integração que a companhia busca avançar no mercado de serviços gerenciados e de ambientes digitais de trabalho.

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