Motorola sofre revés no Conar (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Motorola foi derrotada no Conselho de Autorregulamentação da Publicidade (Conar) e terá que mudar a forma como divulga a memória RAM de seus celulares no Brasil.
  • A prática de somar memória RAM e memória RAM virtual foi considerada irregular pelo Conar.
  • A determina que a Motorola ajuste sua publicidade em meios digitais e físicos, e a empresa pode entrar com recurso caso discorde da decisão.

A Motorola terá que rever a forma como divulga celulares no Brasil. O Tecnoblog descobriu em primeira mão que a fabricante sofreu uma importante derrota no Conar, órgão de autorregulamentação da publicidade que funciona como um espécie de tribunal deste mercado. O revés tem a ver com um velho conhecido nosso: a memória RAM nos telefones.

A polêmica da memória virtual

Primeiro vamos explicar o que está acontecendo. Desde o ano passado, a Motorola passou a somar memória RAM e memória RAM virtual ao informar as características de alguns de seus smartphones, levando a um número “inflado”. A prática do mercado é outra: citar a RAM virtual em outra parte da ficha técnica, justamente para não causar confusão.

Tome como exemplo o Edge 70 Pro: a página oficial coloca “até 24 GB RAM” em letras garrafais. Abaixo, em letras menores, está a explicação de que, na verdade, são 12 GB de RAM física (a meu ver, adequado para um telefone de ponta) e mais 12 GB de “RAM Boost Inteligente”. A página do Moto G86 também cita 24 GB de RAM, mas deste total, apenas um terço é de RAM de verdade.

Conar decide contra Motorola

Agora vamos à decisão desta semana no Conar. Seu Conselho de Ética se reuniu ontem (24/09) e determinou por unanimidade que a Motorola deve mudar de conduta. A alteração tem base no Código de Autorregulamentação e foi determinada em sessão conjunta da quinta e oitava câmaras da entidade.

Na prática, a Motorola terá que adequar toda a publicidade dos produtos tanto em meios digitais quanto nos pontos de venda físicos, segundo uma fonte com conhecimento do assunto explicou ao Tecnoblog. A empresa ainda pode recorrer da decisão. Nós estamos em contato com a Motorola e vamos atualizar este texto caso ela se pronuncie.

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) é uma associação privada cujas decisões não têm o mesmo peso de uma ação judicial. Mesmo assim, as determinações são rigorosamente seguidas pelo mercado – tanto que veículos de mídia, agências e marcas as observam.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária estabelece no artigo 27 que as peças de publicidade devem apresentar a descrição verdadeira do produto. O mesmo dispositivo proíbe informações ou apresentações visuais que possam induzir o consumidor a erro.

Motorola sofre derrota por “inflar” memória dos celulares