Margaret Hamilton, cientista da computação que liderou o desenvolvimento do software das missões Apollo da Nasa e ajudou a colocar seres humanos na Lua, morreu aos 90 anos. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), antigo empregador de Hamilton, confirmou o falecimento e informou que ela morreu em 30 de setembro de 2026.
Segundo a BBC, Hamilton foi a responsável por cunhar o termo “engenharia de software” ao comandar a equipe que escreveu e testou todos os programas de bordo da missão Apollo 11, que levou os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin à superfície lunar. “Dizer que Hamilton foi uma pioneira, dizer que ela estava à frente de seu tempo, seria um eufemismo dramático” afirma o MIT em nota, acrescentando que ela atuava como engenheira de software antes de a área sequer existir como profissão consolidada.
Alarme na Lua
Em 1969, segundos antes do pouso histórico na Lua, um computador de bordo disparou um alarme indicando sobrecarga de processamento. A situação ameaçou comprometer o pouso. O sistema desenvolvido por Hamilton e sua equipe, baseado em um “software orientado por prioridade”, desligou tarefas secundárias e manteve em execução apenas a mais crítica: o pouso lunar. A solução funcionou, e Armstrong e Aldrin pousaram com segurança.
O trabalho da equipe foi eternizado em uma fotografia de 1969, em que Hamilton aparece ao lado de uma pilha de código impresso que alcançava sua altura.
Trajetória e reconhecimento
Hamilton começou a trabalhar no MIT em 1959 e gerenciou a Divisão de Engenharia de Software até meados da década de 1970. Ela disse, em entrevista ao The Guardian em 2019, que foi a primeira programadora a integrar o projeto e a primeira mulher contratada para a função: “Me atraiu tanto a ideia em si quanto o fato de nunca ter sido feita antes. Fui a primeira programadora a entrar e a primeira mulher que eles contrataram”.
Em 2016, o então presidente dos Estados Unidos Barack Obama a condecorou com a Medalha Presidencial da Liberdade por sua contribuição à ciência e à exploração espacial. Na ocasião, Obama afirmou que ela “simboliza aquela geração de mulheres anônimas que ajudaram a enviar a humanidade ao espaço”.
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Nascida em Indiana em 1936, Hamilton estudou matemática na Universidade de Michigan em 1955 e concluiu o bacharelado em matemática pelo Earlham College em 1958. No ano seguinte, se mudou para Boston, Massachusetts, com o marido e aceitou o emprego no MIT inicialmente para sustentá-lo durante o curso de direito. A partir da década de 1970, usou sua experiência para fundar negócios próprios de software, entre eles a Hamilton Technologies, ainda sediada em Massachusetts.
O Earlham College prestou homenagem nas redes sociais: “Estamos tristes com sua morte, mas gratos pela oportunidade de termos celebrado suas conquistas extraordinárias ao longo de sua longa vida. Seu espírito pioneiro e seu notável legado continuarão a inspirar gerações”.
Segundo o MIT, Hamilton deixa uma filha, um genro, dois netos e quatro bisnetos.
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