A Microsoft superou as expectativas do mercado no primeiro trimestre fiscal ao registrar US$ 18,6 bilhões em fluxo de caixa livre (free cash flow), valor cerca de US$ 10 bilhões acima das projeções dos analistas, segundo dados do Visible Alpha. Os resultados foram divulgados nessa quarta-feira (28), com as ações da empresa subindo mais de 3% no pregão estendido.

O desempenho reforça a diferença financeira que se abre entre a Microsoft e concorrentes como Alphabet e Meta, cujos investimentos pesados em inteligência artificial (IA) pressionaram o caixa e aumentaram a dependência de captação externa. Enquanto a Microsoft gerou caixa robusto, a Alphabet registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, o que derrubou suas ações 8% no after-hours. A Meta, por sua vez, registrou na semana passada seu primeiro consumo líquido de caixa em mais de uma década e anunciou a emissão de novas ações para financiar seus custos crescentes de capital.

Crescimento do Azure e projeções

O negócio de nuvem da empresa, o Azure, cresceu 48% no primeiro trimestre fiscal, encerrado em setembro, acima das estimativas. A receita do serviço chegou a US$ 33,17 bilhões, superando a projeção do Visible Alpha de US$ 32,84 bilhões. A receita total da Microsoft avançou um quinto, para US$ 92,28 bilhões, e o lucro ajustado por ação ficou em US$ 4,89, ante a estimativa média de US$ 4,73.

Para o segundo trimestre, a companhia projeta crescimento do Azure entre 49% e 50%, acima da estimativa de analistas de 47,6%, conforme o Visible Alpha. A previsão de receita total está entre US$ 96 bilhões e US$ 97,1 bilhões, acima dos US$ 95,6 bilhões estimados pelo LSEG.

“O relatório do primeiro trimestre da Microsoft foi tão limpo quanto se pode esperar de uma empresa desse porte”, afirma Jesse Cohen, analista sênior do Investing.com. “Depois que os números da Meta e da Alphabet reacenderam a ansiedade com os gastos em IA, este resultado é o contrapeso. A procura ainda supera a oferta, o backlog comercial é enorme, e os retornos estão finalmente aparecendo nos lucros e na receita total”.

Leia também: Mapfre aposta em IA generativa para ampliar eficiência comercial em seguros

Gastos de capital abaixo do previsto

Os gastos de capital (capital expenditure) do trimestre somaram US$ 45,2 bilhões, acima dos US$ 34,9 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, mas abaixo da própria projeção da Microsoft de US$ 50 bilhões. No acumulado de 2026, a empresa desembolsou US$ 118,1 bilhões, o que significa que precisará gastar US$ 56,9 bilhões no quarto trimestre do calendário para atingir a meta de US$ 175 bilhões anunciada em julho.

Jonathan Neilson, vice-presidente de relações com investidores da Microsoft, atribui o gasto menor a atrasos logísticos, não a mudanças nos planos. “Houve entregas de capacidade de terceiros que esperávamos receber no primeiro trimestre e que acabaram sendo adiadas”, afirma.

No mesmo dia, a Oracle afirmou que os gastos de capital devem atingir o pico neste e no próximo ano fiscal, mas se comprometeu a não captar mais de US$ 20 bilhões em financiamento adicional para IA até 2030. O setor como um todo deve injetar mais de US$ 700 bilhões em 2026 na construção de data centers e na aquisição de hardware e energia para IA.

Estratégia de menor custo e vínculo com a OpenAI

O presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, tem buscado capturar a procura corporativa por IA oferecendo opções mais baratas, em resposta ao custo crescente de implantação da tecnologia. Em conferência com analistas, ele afirma que a empresa oferece uma gama de soluções de IA, algumas a preços inferiores aos de modelos de ponta como os da Anthropic. A estratégia passa por tornar os produtos Copilot mais úteis a cada lançamento, “consolidando os avanços de fronteira para implantação em larga escala”, segundo ele.

Os resultados também mostram a Microsoft se beneficiando da procura corporativa por IA, o que reduz o temor de que a tecnologia ameace seu portfólio de software e de que seus ganhos nesse campo dependam em excesso da OpenAI, ainda deficitária. A parceria com o laboratório gerou US$ 10 bilhões em receita no trimestre encerrado em setembro. No acumulado do ano, as ações da Microsoft subiram cerca de 9%, abaixo dos 13% do índice S&P 500.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!