A Meta removeu mais de 5,68 milhões de conteúdos publicados por usuários no Brasil com base em violações dos Padrões da Comunidade e relacionadas à segurança de crianças e adolescentes, entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2026 em suas redes sociais. E, no mesmo período, foram removidas mais de 2,78 milhões de contas de usuários no país nas plataformas Facebook, Instagram e Threads. Os dados fazem parte do Relatório de Transparência sobre o ECA Digital, publicado recentemente e exigido pela atual legislação. Os números não contam com o WhatsApp, cujos números são contados à parte (confira mais adiante na matéria) ou outras remoções que não sejam das categorias indicadas pela legislação de proteção de crianças e adolescentes.

Confira aqui reportagem sobre os números divulgados pelo TikTok.

Do total de conteúdos removidos por plataformas, a divisão ficou da seguinte forma:

Total de Conteúdos Removidos por Plataforma

  • Instagram: cerca de 3,74 milhões de itens removidos.
  • Facebook: cerca de 1,786 milhões de itens removidos.
  • Messenger: cerca de 90,38 mil itens removidos.
  • Threads: 71,73 mil itens removidos.

A Exploração sexual, abuso e nudez infantil foi o item com mais relevância, entre os conteúdos removidos, representando aproximadamente 55% do total, ou 3,12 milhões de itens. Em seguida: bullying e assédio (23,6%), com 1,34 milhão de itens; Jogos e jogos de azar online (7,9%), com 448,19 mil; Suicídio, automutilação e distúrbios alimentares (7,5%), com 427,02 mil itens; e Exploração sexual de adultos (6,15%), com a remoção de 349,3 mil itens.

Total de Conteúdos Removidos por Categoria de Violação

Exploração sexual, abuso e nudez infantil: 3,12 milhões de itens (cerca de 54,9% do total de remoções de conteúdo).

  • Bullying e assédio: 1,34 milhão de itens (23,6%).
  • Jogos e jogos de azar online: 448,19 mil itens (7,9%).
  • Suicídio, automutilação e distúrbios alimentares: 427,02 mil itens (7,5%).
  • Exploração sexual de adultos: 349,3 mil itens (6,15%).

A maior parte do conteúdo foi removida de forma proativa pelas plataformas de Meta, ou seja, ela identificou e atuou antes de denúncias por parte dos usuários. No período avaliado, 99,87% dos conteúdos removidos de Jogos e jogos de azar online foram removidos pela Meta. Já 97,31% dos conteúdos de Suicídio, automutilação e distúrbios alimentares, 97,31%. Em seguida, estão Exploração sexual, abuso e nudez infantil (96,31%); Bullying e assédio (94,44%); e Exploração sexual de adultos (92,84%).

Importante dizer que a taxa proativa não inclui o Messenger por operar sob um modelo de aplicação distinto. No caso, arquivos de mídia conhecidos em bancos de dados são removidos automaticamente, e as demais medidas dependem de denúncias diretas dos usuários.

Meta

Remoção de conteúdo nas plataformas da Meta.

Canal de denúncia do ECA Digital

A Meta criou uma Central de Ajuda destinada a receber denúncias específicas relativas à violação de direitos de crianças e adolescentes no Brasil trazidas por usuários, vítimas, representantes, Ministério Público e autoridades policiais. Neste canal, Facebook e Instagram somam 2.944 mil denúncias, sendo 1.965 denúncias no Facebook e outras 979 no Instagram.

Segue as listas:

Facebook (Total: 1.965 denúncias)

  • Nudez, atividade sexual ou exploração: 744 denúncias
  • Conduta violenta ou que promove ódio: 594 denúncias
  • Bullying ou assédio: 432 denúncias
  • Golpe, falsificação de identidade ou outras práticas fraudulentas: 108 denúncias
  • Sequestro, tráfico de pessoas e recrutamento: 69 denúncias
  • Itens ou atividades proibidos: 9 denúncias
  • Suicídio ou automutilação: 9 denúncias
  • Conteúdo comprovadamente ilícito: 0 denúncias

Instagram (Total: 979 denúncias)

  • Nudez, atividade sexual ou exploração: 293 denúncias
  • Bullying ou assédio: 233 denúncias
  • Golpe, falsificação de identidade ou outras práticas fraudulentas: 207 denúncias
  • Conduta violenta ou que promove ódio: 124 denúncias
  • Itens ou atividades proibidos: 77 denúncias
  • Suicídio ou automutilação: 26 denúncias
  • Sequestro, tráfico de pessoas e recrutamento: 19 denúncias

Observação importante: no caso do canal de denúncias para o ECA Digital, vale dizer que, considerando que a regulação entrou em vigor no dia 17 de março de 2026, os dados acima refletem o período de 17 de março a 30 de junho de 2026, durante o qual as obrigações do ECA Digital estavam em vigor.

WhatsApp

O aplicativo WhatsApp está no escopo do ECA Digital e, portanto, deve fazer o seu próprio Relatório de Transparência por conta do app em si, mas também dos Canais do WhatsApp, recurso de transmissão para múltiplos destinatários, acessível dentro do app de mensageria, que permite aos usuários a criação de um Canal e/ou recebimento de atualizações de pessoas e organizações que optem por seguir. Vale dizer que as medidas são adotadas no nível da conta ou do Canal, não sendo aplicadas a conteúdos individuais.

O mensageiro da Meta suspendeu 4.974 canais do WhatsApp para usuários brasileiros, suspendeu 8.102 atualizações do Canal aos usuários, e suspendeu 1.867 o Canal para todos os usuários, totalizando 14.943 suspensões.

Entre as categorias de danos abrangidas, Exploração sexual, abuso e nudez infantil segue na liderança dos motivos, com 9.382 suspensões, seguida por Jogos e jogos de azar online (4.422), Suicídio e automutilação (1.014) e Exploração sexual de adultos (125).

No WhatsApp Messenger, 61.115 contas no Brasil foram banidas por violarem as Diretrizes do WhatsApp Messenger relacionadas à exploração sexual infantil durante o período aplicável. Exploração sexual infantil inclui imagens de exploração, nudez e aliciamento infantil.

Denúncias recebidas pelo WhatsApp

Dentro da Central de Ajuda do app de mensageria também é possível fazer denúncias relacionadas ao estatuto do ECA Digital. Neste caso, a big tech recebeu 2.176 denúncias durante 17 de março a 30 de junho de 2026. A companhia não separou por categoria, mas informou que a resposta a essas denúncias acontecem, normalmente, em até 24 horas.

Ainda neste ano, o WhatsApp lançou as contas gerenciadas por pais e responsáveis no Brasil, uma versão voltada para crianças menores de 13 anos. Nelas, um adulto pode administrar a conta e supervisioná-la de acordo com a faixa etária da criança. As mensagens pessoais permanecem protegidas por criptografia de ponta a ponta; nem os pais, mães ou responsáveis nem o WhatsApp podem acessar o conteúdo das mensagens.

Os pais, mães ou responsáveis mantêm o controle da conta por meio de um PIN parental, de modo que somente eles possam revisar e alterar configurações ou aceitar solicitações de mensagens e convites para grupos provenientes de contatos desconhecidos.

As contas gerenciadas por pais também não exibem anúncios e, devido ao seu escopo limitado, não permitem que crianças acessem funcionalidades como a Meta AI, os Status, os Canais ou as comunidades.