Meta | Crédito: PJ McDonnell / Shutterstock.com

A Meta anunciou nesta semana a ampliação de suas parcerias com a Nvidia e a AMD para avançar no desenvolvimento de inteligência artificial (IA). As duas fabricantes de chips investirão, juntas, US$ 4 bilhões em uma oferta de ações da companhia de Mark Zuckerberg, que busca expandir sua infraestrutura computacional e levar a chamada “superinteligência pessoal” a seus usuários.

A Nvidia investirá US$ 3 bilhões na oferta de ações da Meta, enquanto a AMD irá aportar US$ 1 bilhão. Os acordos também envolvem a ampliação do uso de tecnologias das duas empresas nos data centers da Meta, incluindo processadores, GPUs, sistemas de rede e soluções voltadas à execução de modelos e agentes de IA.

A movimentação ocorre em meio aos planos recentes da Meta de captar até US$ 97,5 bilhões por meio de ofertas de ações e outros instrumentos financeiros para financiar sua expansão em inteligência artificial e infraestrutura de data centers.

Nvidia amplia parceria em torno do Muse

A Nvidia aprofundará sua colaboração com a Meta no desenvolvimento da família de modelos Muse, utilizada pela companhia para criar assistentes e agentes de inteligência artificial. Os sistemas já operam na infraestrutura da fabricante de chips, e as empresas pretendem otimizar o treinamento e a inferência dos modelos para melhorar o desempenho e reduzir custos.

Segundo comunicado da Nvidia, os modelos e agentes Muse têm apresentado desempenho de ponta em benchmarks e crescimento expressivo nos downloads desde o lançamento, embora a empresa não tenha divulgado números para essas métricas.

“O Muse é a forma como levamos a superinteligência pessoal a todos. Estamos entusiasmados em continuar trabalhando com a NVIDIA para oferecer os melhores agentes pessoais e modelos de ponta a bilhões de pessoas”, afirmou Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, no comunicado.

Meta e Nvidia
Meta e Nvidia (Imagem: Divulgação/Nvidia)

A Meta também pretende ampliar a implantação de infraestrutura da Nvidia em seus data centers. Entre as tecnologias previstas estão os sistemas Vera Rubin e as CPUs Vera, voltados a cargas de trabalho de inteligência artificial, além da rede Ethernet Spectrum-X e da plataforma BlueField-4, que devem contribuir para a eficiência e a transferência de dados.

As empresas querem ainda ampliar a colaboração em segurança e monitoramento de agentes de IA, incluindo o uso da arquitetura de referência NVIDIA OpenShell para apoiar a implantação segura desses sistemas e da ferramenta Sentry para acompanhar seu comportamento.

“A Nvidia e a Meta estão expandindo nossa parceria para otimizar a infraestrutura de computação de ponta a ponta para agentes de IA capazes, eficientes e seguros”, afirmou Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, em nota.

O que é o Muse?

O Muse é uma família de modelos de inteligência artificial que integra a estratégia de Mark Zuckerberg para oferecer o que chama de “superinteligência pessoal” aos bilhões de usuários dos serviços da Meta.

O projeto inclui agentes de IA capazes de executar tarefas com base nas instruções dos usuários. Inspirado no agente de código aberto OpenClaw, o Muse pode acessar aplicativos e informações pessoais, incluindo e-mails, calendários, pagamentos, dados de saúde, compras e dispositivos domésticos inteligentes, de acordo com as permissões concedidas pelos usuários.

Recentemente, a Meta revelou o Muse Charm, uma espécie de Tamagotchi de IA. Trata-se de um pequeno totem do tamanho da palma da mão, com tela própria e sensor de impressão digital, pensado para ser carregado no bolso ou pendurado num chaveiro. Segundo Zuckerberg, o dispositivo comprime toda a experiência de voz e avatar do Muse em um objeto sempre disponível, sem precisar desbloquear o celular ou abrir um aplicativo. O gadget ainda não tem data de lançamento definida, mas a empresa promete entregá-lo a tempo do Natal, em dezembro.

AMD já testa sistemas Helios na Meta

A parceria com a AMD também envolve a expansão da infraestrutura computacional da Meta, mas inclui iniciativas que vão além dos processadores. Segundo a fabricante, os primeiros sistemas AMD Helios em escala de rack (um “armário” de servidores interconectados) já foram instalados e estão em fase de testes na Meta.

Os processadores AMD EPYC já alimentam os ambientes computacionais dedicados ao Muse, agente de IA pessoal da Meta. As empresas também trabalham em futuras gerações de chips, incluindo o processador EPYC de codinome Verano.

No segmento de aceleradores gráficos, as GPUs AMD Instinct já são utilizadas em produção na infraestrutura da Meta para treinamento de modelos, classificação e sistemas de recomendação. A companhia também pretende implementar uma GPU Instinct personalizada, otimizada para suas cargas de trabalho, e colaborar no desenvolvimento de futuras gerações de processadores gráficos.

A AMD informou ainda que suas tecnologias oferecem suporte aos modelos Muse Spark Open, em GPUs Instinct, e Muse Glimmer, em computadores equipados com processadores AMD Ryzen AI e GPUs Radeon.

A colaboração também abrange o software ROCm, utilizado para desenvolver e executar aplicações em GPUs da AMD, além de melhorias em ferramentas como PyTorch e Triton, voltadas ao desenvolvimento e à execução de modelos de inteligência artificial.

“Estamos fazendo grandes investimentos em poder computacional que nos permitirão levar a superinteligência pessoal a todos, e a AMD desempenha um papel importante nisso”, afirmou Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, em comunicado divulgado pela fabricante.

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