O Mercado Bitcoin bloqueou aproximadamente US$ 11,2 milhões em criptoativos após identificar um incidente de segurança na segunda-feira (2). Segundo a corretora brasileira, cerca de US$ 38 milhões ainda estavam envolvidos no episódio, enquanto a empresa trabalha com parceiros do setor para rastrear e recuperar os recursos. O ataque ocorre poucos dias após a Binance registrar um roubo estimado em US$ 6,3 bilhões, ampliando o debate sobre a proteção dos investidores e a segurança das plataformas de ativos digitais.

Após detectar o incidente, o Mercado Bitcoin acionou protocolos de segurança, notificou as autoridades e suspendeu temporariamente os serviços. A companhia afirma que os clientes não terão prejuízos e que não houve vazamento de dados.

A recuperação dos valores envolve a cooperação com empresas como Tether, Circle, Paxos, BRL1 e Chainalysis, especializadas em emissão de ativos digitais e rastreamento de transações em blockchain. A corretora também identificou outros recursos passíveis de bloqueio.

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Segregação patrimonial e resposta a incidentes

Para Marina Fuzeti Fagali, diretora do Juntos por Cripto, os episódios reforçam a necessidade de separar os recursos dos investidores do patrimônio operacional das corretoras e estabelecer mecanismos de resposta coordenada a ataques.

“Os recentes ataques a grandes exchanges como Binance e Mercado Bitcoin deixam evidente que a segregação patrimonial não é apenas um avanço regulatório, mas o principal pilar de segurança de quem opera no mercado”, afirma.

Segundo a especialista, a proteção dos investidores também depende de mecanismos de custódia, transparência sobre os recursos mantidos pelas plataformas e cooperação entre empresas e autoridades.

“A verdadeira proteção do usuário exige que essa segregação caminhe lado a lado com transparência imediata sobre o patrimônio e com uma cooperação ágil entre plataformas, emissores de ativos e autoridades”, acrescenta.

No caso da Binance, a companhia informou que já havia reposto 95% dos ativos afetados pelo ataque ocorrido em 29 de outubro, utilizando recursos próprios e mecanismos de proteção aos usuários.

Para Marina, o congelamento de valores após os incidentes demonstra a importância da atuação conjunta do setor. “É essa união de forças, somada ao rastreamento técnico, que combate com eficácia o crime cibernético e consolida a integridade do ecossistema cripto”, conclui.

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