(Foto: Daniel Dan/Unsplash)

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Em um mês dominado pela eleição presidencial, a renda fixa premiou justamente o investimento que menos depende do humor do mercado. Os títulos que vinham dando os maiores ganhos ao investidor nos meses anteriores terminaram outubro no vermelho. O primeiro lugar ficou com uma aplicação bem mais previsível.

O IMA-S, índice da Anbima que acompanha os títulos públicos pós-fixados, atrelados à Selic, rendeu 1,03% em outubro, o melhor resultado entre os principais índices de renda fixa. Na outra ponta, o IRF-M, que reúne os títulos prefixados do Tesouro, caiu 1,52%. O IMA-B, índice dos títulos do Tesouro IPCA+, recuou 1,03%.

A diferença entre o primeiro e o último colocado foi de 2,55 pontos percentuais. O quadro é o oposto do de setembro, quando o IMA-B liderou, com alta de 3,15%, e o IRF-M ficou em terceiro, com 2,09%. Com o resultado de outubro, o IMA-S passou também a liderar no acumulado do ano, com 11,77%. Logo atrás vêm as debêntures atreladas ao DI (11,66%) e as debêntures IPCA sem benefício fiscal (11,31%).

AtivoÍndiceOutubro (%)No ano (%)
Títulos públicos pós-fixadosIMA-S1,0311,77
Debêntures atreladas ao DIIDA – DI0,6711,66
DebênturesIDA – Geral0,157,91
Debêntures IPCA não incentivadasIDA – IPCA ex-Infraestrutura0,1011,31
Títulos públicosIMA – Geral0,0610,18
Debêntures atreladas ao IPCAIDA – IPCA-0,324,04
Debêntures incentivadasIDA – IPCA Infraestrutura-0,333,82
Títulos públicos de inflaçãoIMA-B-1,038,98
Títulos públicos prefixadosIRF-M-1,527,63
Fonte: Anbima

O que derrubou prefixados e IPCA+

Os títulos prefixados e atrelados à inflação perdem valor quando as taxas de juros negociadas no mercado sobem. Nesse caso, o preço dos papéis que já estão em carteira se ajusta para baixo, e quanto mais longo o título, maior o efeito.

Foi o que aconteceu na reta final do mês. Entre o primeiro e o segundo turno, investidores haviam apostado na queda dos juros longos, à espera de uma mudança na condução das contas públicas. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desfez essa aposta. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, as taxas dos contratos de DI chegaram a avançar mais de 300 pontos-base (cada 100 pontos-base equivalem a 1 ponto percentual).

Nas contas de Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Investimentos, a probabilidade de um ajuste fiscal caiu de até 70% para algo entre 20% e 30% com o resultado das urnas. A primeira reação do mercado, disse ele em entrevista ao InfoMoney, foi precificar a continuidade, com uma leve piora adicional das contas públicas.

Nas debêntures, o desempenho também se dividiu entre os indexadores. As atreladas ao DI renderam 0,67%, abaixo do IMA-S. Já as incentivadas, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, caíram 0,33%, segundo o IDA-IPCA Infraestrutura. No ano, a distância entre as debêntures IPCA sem e com benefício fiscal chega a 7,49 pontos percentuais.

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