(Foto: Divulgação/Marcopolo)

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As ações da Marcopolo (POMO4) operam em baixa nesta quarta-feira (4), diante da frustração expressiva em relação às expectativas em diversas linhas do balanço do terceiro trimestre de 2026. Os papéis da companhia chegaram a cair forte, mas diminuíram as perdas com a melhora do humor externo e fechou em baixa de 0,84%, a R$ 3,54.

Na avaliação do JPMorgan, o trimestre foi uma “tempestade perfeita”, com volumes domésticos fracos, ausência de contribuição dos volumes do programa Caminho da Escola para a alavancagem operacional e desempenho majoritariamente negativo das operações internacionais.

O cenário foi agravado pelos custos de reestruturação, pela valorização do real, que prejudicou as exportações, e por custos de matérias-primas acima do esperado, pressionando as margens.

Além disso, o resultado do terceiro trimestre reforça a principal ressalva dos investidores em relação à ação: a maior rentabilidade apresentada pela Marcopolo nos trimestres anteriores pode ter sido um movimento cíclico, e não estrutural.

O lucro líquido foi de R$ 187 milhões, 14% abaixo do consenso e 43% inferior ao registrado um ano antes.

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Em relatório assinado pelos analistas Daniel Federle e Lucas Marquetti, o Bradesco BBI considera o resultado negativo, com receita, EBITDA e lucro líquido abaixo das estimativas, que já estavam inferiores ao consenso.

Segundo o banco, a combinação de menores volumes, perda de eficiência industrial, apreciação do real e inflação de matérias-primas pressionou a rentabilidade.

No Brasil, a ausência de entregas relevantes de programas governamentais afetou a diluição dos custos fixos, enquanto Argentina, México e África do Sul continuaram enfrentando condições econômicas adversas.

No exterior, a companhia ainda não identifica sinais consistentes de melhora na Argentina, no México ou na África do Sul, e espera desaceleração na Austrália em 2027. Alguns fatores podem reduzir a intensidade da deterioração, como a retomada das entregas governamentais, um real mais depreciado e o fato de a produção em Argentina, México e África do Sul já ter recuado aproximadamente 80% no comparativo anual. Ainda assim, o cenário não oferece catalisadores claros para uma recuperação dos resultados no curto prazo.

O Itaú BBA avalia que o trimestre foi negativo para a Marcopolo, com margem Ebitda de 12%, abaixo da estimativa de 12,4%. Os comentários da administração também indicaram a continuidade dos desafios operacionais. Para o banco, as reestruturações em andamento no Brasil e no México sugerem que o ambiente de volumes fracos observado no terceiro trimestre deve persistir por algum tempo.

Na avaliação do Itaú BBA, a tese para a companhia piorou. Embora fatores não recorrentes tenham pressionado o desempenho do 3T26, especialmente a ausência de entregas do programa Caminho da Escola, que devem se recuperar no quarto trimestre, o banco acredita que os obstáculos estruturais continuarão pressionando as expectativas.

Recomendação para Marcopolo

Apesar do valuation de aproximadamente 5 vezes o lucro projetado para 2027 e do rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista de 16%, a ausência de melhora operacional deve continuar limitando o desempenho das ações. O Bradesco BBI manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 7,00 para POMO4.

O Itaú BBA também reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 7,50.

O JPMorgan manteve recomendação neutra para Marcopolo, com preço-alvo de R$ 7.

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