O macro pesou e o Bradesco reportou um terceiro trimestre considerado fraco pelo mercado.
O lucro foi de R$ 7,1 bilhões, um crescimento de apenas e 0,8% no tri a tri e de 14,6% na comparação anual.
O número ficou em linha com o consenso – “mas um consenso ruim,” disse um analista do sellside.
O ROE foi de 15,6% – ou 16,1% quando desconsiderado o aumento de capital recente de R$ 10 bilhões. No segundo tri, o ROE estava em 16,2%.
“A impressão é que está acabando o gás. Está mais difícil manter aquele compromisso de aumentar o lucro todo trimestre,” disse outro analista. “Mas o banco não teria feito um aumento de capital se achasse que o cenário seria fácil.”
A carteira de crédito cresceu menos que em trimestres anteriores: 1,1% no sequencial e 11,1% frente ao mesmo período de 2025.
Diante dos riscos macro, a expansão do crédito está há alguns trimestres concentrada nas linhas com mais garantias – essa carteira chegou a 61,2% do total de empréstimos do Bradesco no tri, ante 59,5% no mesmo período de 2025.
Essas linhas geralmente são menos rentáveis, o que fez a margem com clientes crescer menos que o esperado: 1,5% no trimestre e 10,1% na comparação anual. A margem das operações de crédito pós-PDD caiu para 4,2%
A inadimplência total acima de 90 dias aumentou para 4,6% – ante 4,3% em junho e 4,1% em setembro de 2025.
Na carteira de pessoas físicas, a taxa subiu para 5,8%, frente aos 5,5% do trimestre anterior e 5,4% há um ano. Nas PMES, os atrasos chegaram a 4,9% – estavam em 4,4% em setembro e em 3,7% em junho.
Como aconteceu no trimestre anterior, parte do aumento se deve à inadimplência nas linhas que contam com os fundos garantidores FGI e FGO: as garantias são liberadas entre 120 e 180 dias depois de o crédito ser considerado inadimplente e, até lá, os valores não pagos entram nos índices de pagamentos em atraso.
Mas também houve problemas na carteira rural, com impacto para pessoas físicas, segundo o banco.
Além disso, o Bradesco voltou a aumentar as provisões, em 7% no trimestre e 24% na comparação anual.
“Estamos dentro do mercado brasileiro, e existe uma pressão geral na inadimplência e no custo de crédito,” disse o CEO Marcelo Noronha nesta sexta-feira de manhã. “Mas nosso mix é diferente do de anos atrás. A carteira está mais protegida e controlada.”
Se houvesse um “vento de popa” na economia, afirmou Noronha, a carteira poderia crescer 20% no ano, com um impacto de até R$ 500 milhões no lucro líquido. “Vento de popa ajuda até avião,” disse.
Os dados positivos do balanço foram o controle de gastos – as despesas operacionais caíram 0,7% no trimestre e 1% na comparação anual – e o aumento das receitas de prestação de serviços, que cresceram 4,2% no tri a tri e 3,1% no ano.
Com isso, o índice de eficiência operacional melhorou para 45%.
Após o aumento de capital, o índice de capital principal aumentou de 11,3% para 12,1%.
“A capitalização deve ajudar a melhorar o lucro do banco mais à frente, mas, por enquanto, o Bradesco é uma das companhias que mais dependem de um bom desfecho eleitoral,” disse um analista.
O balanço da seguradora também foi mais fraco. O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização – uma conta que engloba prêmios menos sinistros – somou R$ 5,6 bilhões no terceiro tri, com queda de 9% no trimestre e de 2% na comparação anual.
O lucro líquido foi de R$ 2,8 bilhões, 2% menor que o do primeiro tri, mas 14% maior que o resultado do mesmo período de 2025. O ROE da seguradora foi de 22% no terceiro tri, frente aos 22,8% do trimestre anterior.
Segundo Ney Dias, o CEO da Bradseg, a sinistralidade aumentou no trimestre, em diferentes linhas, por questões sazonais. Além disso, o resultado financeiro foi pressionado por um IPCA menor – parte do passivo está investida em ativos atrelados à inflação.
“O melhor é olhar a tendência em nove meses. Estamos tranquilos,” disse ele. De janeiro a setembro, o resultado cresceu 9%, para R$ 18 bilhões, e o lucro aumentou 18%, para R$ 8,6 bilhões.

