Brazil’s president, Luiz Inacio Lula da Silva, walks with the President of the Federal Senate of Brazil, Davi Alcolumbre, and the President of the Chamber of Deputies, Hugo Motta, at the Alvorada Palace in Brasilia, Brazil, August 26, 2026. REUTERS/Adriano Machado

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(Foto: Adriano Machado / Reuters)

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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma disputa pelo comando do Congresso que será decisiva para a governabilidade a partir de 2027.

O presidente sinalizou apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao Senado, em uma articulação para ampliar sua interlocução com o Centrão e conter o avanço do PL de Flávio Bolsonaro.

Lula recebeu os dois parlamentares na segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, um dia depois de vencer o segundo turno. O petista comunicou que o PT apoiará suas candidaturas nas eleições internas de 1º de fevereiro de 2027.

O acordo interessa aos três. Motta e Alcolumbre buscam permanecer no comando das Casas, enquanto Lula precisa construir maiorias em um Congresso mais conservador, sobretudo com o fortalecimento do PL.

Na noite da vitória, o presidente já havia indicado que negociaria com a nova composição parlamentar. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu. E é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou.

PL tenta disputar o comando das duas Casas

A principal resistência à continuidade de Motta e Alcolumbre vem do partido de Flávio Bolsonaro, que terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e ampliará sua representação no Senado.

Na Casa Alta, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, pretende disputar a presidência contra Alcolumbre. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também é mencionada nas articulações.

O PL considera prioritário conquistar o comando do Senado, responsável por definir a tramitação de projetos, conduzir a agenda de indicações de autoridades e decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre conta com interlocução no MDB, PSD e partidos governistas, mas enfrenta um cenário mais competitivo depois do crescimento da direita. Mesmo com acordos partidários, precisará conquistar votos individuais, já que a eleição é secreta.

Na Câmara, o PL ainda avalia se lançará candidato próprio ou negociará apoio a outra candidatura. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o deputado Altineu Côrtes (RJ) estão entre os nomes considerados para enfrentar Motta.

Motta amplia alianças com o Centrão

A situação de Hugo Motta é considerada mais favorável. O presidente da Câmara já reuniu apoio de partidos do Centrão e de legendas próximas ao governo, embora ainda precise consolidar os votos das bancadas.

União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, Podemos e outras siglas do bloco de centro estão entre os partidos que sinalizaram apoio à sua recondução. PDT, PSB e PV também se aproximaram da candidatura.

Nesta terça-feira (27), a bancada do PT deve discutir formalmente sua posição. O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), vice-presidente da legenda, afirmou que defenderá o apoio ao atual presidente da Câmara.

Motta também intensificou os contatos com deputados eleitos para o primeiro mandato, que participarão pela primeira vez da escolha da Mesa Diretora.

A formação de uma aliança ampla, porém, não assegura todos os votos anunciados pelas direções partidárias, já que a votação é secreta.

Acordo pode influenciar composição do governo

O apoio à continuidade de Motta e Alcolumbre também deverá entrar nas negociações para a formação do ministério de 2027.

Os dois presidentes mantêm relações com diferentes setores do Centrão e poderão atuar na indicação de aliados para a Esplanada. Lula pretende ampliar o espaço de grupos regionais que apoiaram sua reeleição, inclusive dentro de partidos que declararam apoio a Flávio.

A presença dessas siglas no governo pode facilitar votações, especialmente em temas econômicos e propostas que dependem de mudanças constitucionais.

Parte dos parlamentares do PP, União Brasil e Republicanos, contudo, mantém alinhamento com o bolsonarismo e poderá atuar na oposição mesmo que integrantes de seus partidos ocupem ministérios.

Após o encontro no Alvorada, Alcolumbre afirmou que o Congresso continuará atuando com independência e disposição para negociar com o Executivo.

“Os brasileiros esperam de nós resultados. Temos muito trabalho pela frente”, declarou.

As definições sobre a Mesa Diretora ocorrerão em fevereiro. Até lá, Lula tentará construir uma base de negociação para o quarto mandato, enquanto o PL busca ampliar sua influência sobre a pauta legislativa.

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