Barras de chocolate da Lindt ( Paris, France, July 20, 2017. REUTERS/Gonzalo Fuentes/File Photo)

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ZURIQUE, 4 Nov (Reuters) – Investidores influentes da fabricante suíça de chocolates Lindt & ⁠Spruengli estão exigindo mudanças radicais na diretoria da empresa, fabricante das trufas Lindor, depois que ⁠erros na definição de preços afetaram fortemente o valor das ações e levaram à demissão de seu presidente-executivo no ‌mês passado.

As críticas, baseadas em entrevistas com cinco grandes investidores — incluindo três dos 20 maiores acionistas —, aumentam a pressão sobre a Lindt, que busca um novo presidente-executivo. Suas ações caíram cerca de um quarto este ano, após revisões para baixo nas ‌perspectivas e fraco desempenho na Europa.

Depois que a Lindt demitiu o CEO Adalbert Lechner, após dois alertas sobre vendas este ano, os acionistas afirmaram que queriam uma renovação no conselho e uma redução dos poderes do presidente Ernst Tanner, de 80 anos. Tanner é presidente há 32 anos e presidente executivo desde 2016.

“A renovação não pode se limitar à diretoria executiva. Ela também deve ocorrer no conselho”, afirmou Ingo Speich, da Deka, investidora da Lindt, acrescentando que a empresa suíça enfrenta desafios estruturais que exigem “novas ideias”.

Leia mais: Lindt demite CEO após resultados ruins e revisões para baixo nas perspectivas

“A atual concentração de ⁠poder ‌deve ser abolida”, acrescentou Speich.

Dos cinco investidores com quem a Reuters conversou, apenas um grande acionista apoiou o atual conselho da ⁠empresa. Seis outros grandes acionistas contatados pela Reuters se recusaram a comentar.

Os comentários marcam a primeira grande crítica ao conselho da Lindt desde a destituição de Lechner no mês passado. Tanner já enfrentou oposição anteriormente, com alguns acionistas votando contra sua reeleição nas assembleias anuais nos últimos anos.

A Lindt informou que o conselho iniciou a busca por um novo presidente-executivo e espera nomear um sucessor no segundo trimestre de 2027. Lechner não foi encontrado para comentar o assunto. Tanner se ​recusou a comentar.

“O conselho também revisa regularmente sua composição”, disse um porta-voz da Lindt. “O planejamento de sucessão é parte integrante de seu trabalho.”

‘O MUNDO MUDOU’

A Lindt enfrentou dificuldades este ano após aumentar os preços em resposta à alta nos ​custos do cacau , o que afetou os volumes de vendas à medida que os consumidores apertaram os cintos.

Tanner reconheceu no mês passado que a Lindt havia avaliado mal a disposição dos consumidores em pagar após aumentar os preços em 19% em 2025 e em mais 12% no primeiro semestre de 2026.

A empresa reduziu sua previsão de crescimento orgânico para entre 0% e 2%, bem abaixo da média de 10,9% dos últimos cinco anos. O diretor na Alemanha, Michal Spiller, deixou a empresa junto com Lechner, e ‌o ex-presidente-executivo Dieter Weisskopf retornou como presidente-executivo interino.

Spiller não foi encontrado para comentar o ​assunto.

Vincent Kaufmann, presidente-executivo da Ethos, principal grupo de consultoria para acionistas da Suíça, afirmou que a Lindt sofreu com a falta de freios e contrapesos adequados em seu conselho de administração.

“A busca por um novo presidente-executivo é um primeiro passo… No entanto, a troca do presidente-executivo por si só não resolverá ⁠as questões de governança levantadas pela Ethos, que dizem ​respeito ao próprio conselho”, disse Kaufmann, ​acrescentando que apenas três dos oito membros do conselho eram independentes de acordo com seus critérios, enquanto os fundos de pensão da empresa estavam super-representados.

Um dos 20 ⁠maiores acionistas, falando sob condição de anonimato, disse que o conselho ​compartilhava da responsabilidade pelos erros de precificação e precisava de sangue novo, observando que seis de seus oito membros tinham pelo menos 70 anos e que Tanner ocupava o cargo de presidente desde 1994.

A Lindt devia muito a Tanner, disse o investidor, mas “o mundo mudou muito nos últimos ​30 anos”.

Tanner afirmou que não vai se afastar, dizendo que sua prioridade é colocar a empresa de volta nos trilhos. Ele continua em posição de força, detendo pessoalmente 2,3% das ações da empresa, enquanto dois fundos ​de pensão dos quais é presidente detêm ⁠mais de 15% dos direitos de voto.

Um segundo investidor entre os 20 maiores disse compreender por que Tanner estava permanecendo no cargo e defendeu os aumentos de preços, ⁠que foram fundamentais para proteger as margens da empresa de US$24 bilhões.

A Lindt reafirmou sua meta de médio a longo prazo de crescimento anual das vendas de 6% a 8%, embora os investidores afirmem que alcançá-la pode ser um desafio.

Um terceiro investidor entre os 20 maiores disse que pode ser difícil para a empresa recuperar rapidamente as taxas de crescimento anteriores, devido aos desafios relacionados à precificação e ao surgimento dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, que podem reduzir o consumo de chocolate.

(Reportagem de Oliver Hirt e John ​Revill)

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