A Lambda está captando até US$ 4 bilhões na última rodada de financiamento antes de sua oferta pública inicial (IPO), prevista para 2027. Liderada pelas gestoras Blackstone e Coatue Management, a rodada avalia a companhia em US$ 14,5 bilhões pré-money.
Fundada em 2012 pelos irmãos gêmeos Michael e Stephen Balaban, cientistas da computação formados pela Universidade de Michigan, a Lambda se posiciona como uma neocloud, nome dado a empresas de infraestrutura digital que compram GPUs (unidades de processamento gráfico) e outros chips voltados a modelos de linguagem e os alugam a clientes que precisam de poder de computação para criar ou usar ferramentas de IA.
A companhia se apresenta como uma startup de nuvem comandada por engenheiros, com conhecimento profundo em tecnologia de IA, e usa exclusivamente chips e racks de servidores da Nvidia.
Segundo o WSJ, o IPO está sujeito à execução do plano e às condições de mercado, conforme carta enviada aos sócios limitados da Lambda. O documento mostra que o volume de contratos a executar da companhia saltou de US$ 15 bilhões em junho para US$ 50 bilhões em setembro. Um dos principais responsáveis pelo avanço, de acordo com a carta, foi um compromisso de US$ 35 bilhões da Anthropic, desenvolvedora da família de modelos Claude.
Rodadas e contratos
A nova rodada chega menos de um ano após a captação anterior, realizada em novembro e liderada pela TWG Capital, de Mark Walter e Thomas Tull. Na ocasião, a Lambda levantou US$ 1,5 bilhão com avaliação pós-money de US$ 5,9 bilhões, de acordo com anúncios da empresa e estimativas da plataforma de capital de risco Forge Global.
A Nvidia já havia participado da Série D, de US$ 480 milhões, em fevereiro de 2025. A fabricante de chips tem ampliado seus investimentos em neoclouds nos últimos meses.
No fim de agosto, o WSJ noticiou que a Anthropic havia assinado um contrato de nuvem para alugar chips da Nvidia da Lambda. A operação ocorre em uma instalação que a Nvidia arrendou da Hut8, mineradora de bitcoin e desenvolvedora de data centers, no condado de Nueces, no Texas.
Mudanças pré-IPO
A preparação para o IPO da Lambda passa por mudanças na estrutura de gestão. Desde a primavera no Hemisfério Norte, a startup vem fazendo movimentações de pessoal vistas como preparação para o escrutínio do mercado de capitais.
Em maio, a empresa substituiu Stephen Balaban, um dos cofundadores, no cargo de CEO por Michel Combes, executivo com passagens por Brightspeed, SoftBank International, Sprint e Alcatel-Lucent. Balaban passou a ocupar o posto de diretor de tecnologia (CTO).
A empresa também buscou no setor de telecomunicações novos executivos e integrantes do conselho. John Donovan, CEO da AT&T, entrou como conselheiro, e Charles Fisher foi contratado como diretor financeiro (CFO). Fisher foi vice-presidente executivo de finanças corporativas e desenvolvimento na provedora de banda larga Charter Communications e CFO do serviço de compartilhamento de carros Turo.
Neoclouds em alta
A Lambda integra um grupo crescente de startups do tipo neocloud, segmento que, segundo o WSJ, esteve muito aquecido no último ano, com a adoção de ferramentas de IA corporativas por mais empresas.
A Nvidia tem aportado bilhões nesse mercado. A fabricante detém cerca de 10% da CoreWeave, que abriu capital no ano passado, e da Nebius, sediada na Holanda. Entre outras neoclouds apoiadas pela empresa estão Iren, Firmus e Nscale.
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