O Itaú Unibanco assinou um acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace por R$ 2,925 bilhões. A startup fundada em Uberlândia é especializada no desenvolvimento de Large Data Models (LDMs), modelos fundacionais voltados ao processamento massivo de dados corporativos, tabulares e operacionais.
A startup já tinha uma parceria de quase dois anos com o banco. Em janeiro de 2025, o Itaú liderou uma rodada de investimento de US$ 18 milhões na NeoSpace, na qual adquiriu 15% de participação no negócio. Na ocasião, a rodada também contou com a participação de Micky Malka, da Ribbit Capital; Martin Escobari, da General Atlantic; Nigel Morris, da QED Investors; e Hans Morris, da NYCA Partners.
Com a nova operação, o Itaú pretende ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias proprietárias de inteligência artificial para o setor financeiro. A parceria entre as empresas já resultou em soluções de IA generativa aplicadas a áreas como crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
“Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global. O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária, e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira. A aquisição da NeoSpace é um investimento estratégico nessa ambição”, afirma Milton Maluhy Filho, CEO do banco, por meio de nota.
A aquisição da NeoSpace é parte de um conjunto de medidas que o Itaú tem anunciado para alcançar essa ambição de se tornar referência em tecnologia bancária. Recentemente, o banco também entrou como cotista do Endeavor Catalyst Fund V, o primeiro investimento da estratégia de Fundo de Fundos do Itaú Ventures.
NeoSpace segue independente
Apesar da aquisição integral, a NeoSpace continuará com gestão e operação autônomas, sob a liderança de Bruno Pierobon, que permanecerá como CEO. O acordo prevê a manutenção da equipe e a continuidade das atividades de pesquisa e desenvolvimento da startup.
A conclusão da transação ainda depende do cumprimento das condições previstas em contrato, incluindo as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil.
Os modelos da startup já são utilizados em iniciativas conjuntas com o Itaú e deverão contribuir para a evolução do ia.i, plataforma de inteligência artificial generativa do banco. Entre as aplicações previstas estão interações mais contextualizadas com os clientes, orientações para gestão financeira, soluções de crédito adaptadas a diferentes perfis e ferramentas de planejamento financeiro.
Por meio de nota, o Itaú ressalta que a aquisição integra a estratégia de IA que o banco vem desenvolvendo nos últimos anos, combinando investimentos em capacidades e plataformas proprietárias, aplicação da tecnologia nas jornadas de clientes e colaboradores e pesquisa aplicada por meio do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi). Esse braço de pesquisa da instituição financeira atua em parceria com universidades e pesquisadores nas áreas de Inteligência Artificial, Computação Quântica, Neurociência, Robótica e Realidade Estendida.
“Construímos a NeoSpace com a convicção de que o Brasil tem capacidade de desenvolver inteligência artificial na fronteira tecnológica global. Nossa parceria com o Itaú nos permitiu avançar nessa ambição, aplicando modelos fundacionais a desafios reais do sistema financeiro e comprovando seu potencial em escala. Essa nova etapa cria condições para aprofundar nosso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa”, disse Bruno Pierobon, CEO da NeoSpace, em nota.
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