Diogo Stiebler, diretor de tecnologia e operações da Via Appia, defendeu nessa quinta-feira (1º) que a infraestrutura crítica brasileira se tornou um setor movido por tecnologia. A apresentação aconteceu no IT Forum Na Mata CIO, cuja edição foi dedicada aos desafios e às oportunidades da tecnologia nos setores de indústria, energia e infraestrutura. Realizado entre 1º e 2 de outubro no Distrito Itaqui, o evento do IT Forum contou com a parceria de Cast, Cirion, Mirante Tecnologia, Vexia, Vtex e Udemy Business.

O executivo usou o trecho norte do Rodoanel como eixo da apresentação para discutir como a digitalização transforma projetos de grande escala. O investimento total do projeto foi de R$ 4,8 bilhões, e 20% do capital investido nessa obra foi destinado a tecnologia, percentual que Stiebler atribuiu ao fato de se tratar de um greenfield, ou seja, uma rodovia construída do zero.

Nos contratos de concessão de rodovias já existentes, os investimentos em tecnologia representam 10% do capital total, ante 6% em 2023, segundo Stiebler. “Infraestrutura é um segmento cada vez mais tecnológico e menos da engenharia pesada”, afirmou. Para o executivo, esses investimentos são essenciais para ampliar a segurança e melhorar a mobilidade.

A digitalização, porém, traz desafios à operação de sistemas críticos. Stiebler destacou que a automação exige cuidados, já que uma única falha pode provocar acidentes e comprometer serviços essenciais à sociedade.

Para ele, a tecnologia avançou, mas o setor crítico ainda não tem condições de operar sem supervisão humana. “É uma adaptação do negócio, tirar o ser humano da jogada é uma decisão perigosa; ainda só é possível ter certeza se existem pessoas conferindo”, afirma.

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Ele citou a construção dos túneis do Rodoanel como exemplo de projeto que exigiu análise detalhada de legislação e operação. Na visão do executivo, a inteligência artificial (IA) ainda não tem base consolidada para atuar de forma autônoma em infraestrutura crítica, mesmo que o ser humano também esteja sujeito a erros.

“Um dia talvez tudo possa ser conduzido de maneira automática, afinal humanos cometem tantos erros quanto uma IA, mas hoje o machine learning ainda não está tão evoluído”, explica.

Postos de carregamento e o dilema do primeiro passo

Stiebler também destacou o projeto da Via Appia de instalar postos de recarga para veículos elétricos ao longo das rodovias. A iniciativa busca romper um impasse: a falta de infraestrutura de carregamento limita a adoção desses veículos, enquanto a baixa demanda desestimula a instalação de novos pontos. “Alguém tem que dar o primeiro passo”, afirmou.

O executivo relacionou a iniciativa à responsabilidade das concessionárias de infraestrutura crítica de atender às demandas da sociedade e antecipar necessidades de mobilidade. “Para montar uma companhia com aquilo que a população espera e que o setor espera, é preciso ser muito rápido nas decisões”, disse Stiebler.

Conexão com o aeroporto de Guarulhos

Stiebler também apresentou um projeto em desenvolvimento para conectar o Rodoanel ao Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A proposta prevê uma ligação de aproximadamente 3 km, na altura do km 140 da rodovia.

A concessionária trabalha no desenvolvimento do projeto e na estimativa de custos. Segundo o executivo, após a conclusão dessa etapa, caberá ao Estado de São Paulo decidir sobre a execução da obra. Embora a realização ainda não esteja confirmada, Stiebler avaliou que a conexão facilitaria o acesso ao aeroporto para motoristas vindos do interior e das regiões norte e oeste do estado, sem a necessidade de passar pela cidade de São Paulo.

Ao encerrar a apresentação, o executivo reforçou o papel da tecnologia na transformação da infraestrutura. “A digitalização é um movimento sem volta. O benefício que se gera com isso é muito maior do que o risco”, concluiu.

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