Hoje, a agenda de Patrícia Camara como CIO da Sodexo no Brasil se divide entre reuniões, decisões estratégicas e projetos de transformação digital. No início da carreira, porém, ela usava gravata para dar aulas de informática no interior de Minas Gerais. A lógica era simples: se parecesse um pouco mais com os professores homens, talvez conquistasse com mais facilidade o respeito que ainda lhe faltava em sala de aula.
Filha de agricultores, Patrícia cresceu cercada pela natureza e distante das tecnologias que já começavam a circular mundo afora. A facilidade com os números, no entanto, chamou a atenção de um professor de matemática, que lhe sugeriu o curso técnico em processamento de dados. “Foi nesse momento que a tecnologia começou a fazer parte da minha vida. Nesse mesmo ano, quis ter mais prática e conciliei os estudos com um curso profissionalizante de programação na Data Control.”
Para ajudar a bancar os estudos, abriu um pequeno comércio com a mãe aos 15 anos e trabalhava nos fins de semana. O esforço logo deu resultado. “Entrei como aluna e cheguei à coordenação da escola.” Ali, aprendeu também algo que levaria para muito além da sala de aula: “Cada pessoa tem um ritmo, uma dificuldade e uma maneira de compreender o mundo.”
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Quando decidiu migrar para o mundo corporativo, aceitou recomeçar como estagiária. Passou por suporte, infraestrutura, sistemas de gestão, qualidade e operação. Aprendeu inglês e espanhol, conheceu outros mercados e se reinventou. No caminho, entendeu que o conhecimento técnico, sozinho, não sustentaria a trajetória que queria construir. “Aprendi que assumir uma posição de diretora de tecnologia envolve entender o negócio, me conectar com as pessoas, administrar conflitos, influenciar decisões e desenvolver o time.”
Na Sodexo, a CIO conduz uma transformação em que dados e inteligência artificial chegam cada vez mais perto da operação. Projetos como o Spark e o Sodexo Direct usam soluções digitais para reduzir tarefas manuais, antecipar demandas, diminuir filas e até combater o desperdício de alimentos.
Para ela, a liderança em tecnologia precisa conectar decisões técnicas a seus efeitos sobre custos, produtividade, experiência e crescimento. “Também considero indispensáveis a capacidade de aprender continuamente e o discernimento para equilibrar inovação, segurança e governança. Sobretudo, uma solução só gera valor quando as pessoas conseguem incorporá-la ao trabalho.”
Os projetos e as entregas contam parte da história de Patrícia. Ao olhar para trás, porém, ela prefere medir a trajetória pelas pessoas que ajudou a desenvolver. “Algumas delas hoje são CEOs e CIOs.” É nesse legado, mais do que em qualquer sistema ou plataforma, que reconhece sua maior realização.
Dos fins de semana no comércio da família à cadeira de CIO, a executiva resume o percurso em uma frase: “Gosto de aprender, construir caminhos e transformar possibilidades em realidade.”
Patrícia Camara integra a lista IT Forum Mulheres, do IT Forum Inteligência, que destaca 35 mulheres da tecnologia.
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