Mayla Dornas Troiani aprendeu cedo que nem sempre é possível esperar pelas condições ideais para realizar sonhos. Aos 11 anos, já dividia a infância com a responsabilidade de cuidar da mãe e do irmão. Aos 18, foi para São Paulo em busca de oportunidades. Trabalhou com vendas, distribuiu panfletos na Avenida Paulista e passou pelo atendimento em call center. “Essas experiências foram fundamentais para construir minha visão sobre trabalho, respeito e relações humanas.”

A tecnologia entrou na história alguns anos depois. Aos 22, começou a estudar desenvolvimento de sistemas e, ainda sem experiência, se ofereceu para participar de um projeto de implantação durante seis meses recebendo apenas o valor do transporte. Queria aprender e conseguir a primeira chance. “Com o tempo, descobri que meu interesse não estava apenas nos sistemas ou nas ferramentas, mas na capacidade de utilizar a tecnologia para resolver problemas, transformar operações e melhorar experiências.”

Vieram empresas, setores e problemas de diferentes escalas. “Na Zenvia, participei de iniciativas que contribuíram para uma redução de 36% dos custos operacionais. Na Neobpo, atuei na ampliação do escopo de entregas de 32% para 90%.”

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A carreira também guardou episódios difíceis. Em um deles, Mayla sentiu sua competência ser colocada em dúvida de maneira que nunca esqueceu. “Foi uma experiência horrível. Naquele momento, senti que minha capacidade estava sendo diminuída de uma forma profundamente injusta.” Chorou, perdeu noites de sono e ensaiou diante do espelho como reagiria se aquilo voltasse a acontecer.

“Mas talvez um dos aprendizados mais importantes tenha sido não permitir que a percepção de outras pessoas definisse meus próprios limites.” Aos poucos, a CIO entendeu também que autoridade “se constrói com conhecimento, consistência, capacidade de decisão e responsabilidade pelos resultados”.

Em março de 2025, assumiu a liderança de tecnologia da Naturgy Brasil. No programa Move to Cloud, liderou a migração de 35 aplicações para a Oracle Cloud Infrastructure, reduzindo o custo anual de infraestrutura de aproximadamente R$ 4 milhões para R$ 1,4 milhão.

Os números ajudam a dimensionar a transformação, mas Mayla prefere olhar para o que permanece depois dela: “O aspecto mais relevante desses projetos não está apenas nos indicadores financeiros ou tecnológicos. Está na capacidade de mobilizar profissionais de diferentes especialidades, estabelecer uma direção comum e construir transformações que continuem gerando valor depois da conclusão dos projetos.”

Hoje, como mentora de outras mulheres na tecnologia, Dornas evita apresentar a carreira como uma simples “sucessão de degraus”. Para ela, crescer profissionalmente tem menos a ver com chegar ao próximo cargo e mais com ampliar a capacidade de transformar negócios e desenvolver pessoas. Talvez por tudo o que viveu até aqui, Mayla também trate com cuidado especial a ambição que alguém decide lhe confiar. “Por trás de um sonho, existe uma vida inteira.”

Mayla Dornas integra a lista IT Forum Mulheres, do IT Forum Inteligência, que destaca 35 mulheres da tecnologia.

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