Ao contrário do que era inicialmente imaginado, a inteligência artificial tem proporcionado maiores ganhos de produtividade em trabalhos de alto valor agregado, avalia Igor Gushiken, diretor de dados e inteligência artificial do QuintoAndar (Android, iOS).
Em entrevista a Mobile Time, durante evento da OpenAI, nesta sexta-feira, 6, em São Paulo, o executivo citou como exemplo a utilização de IA para o desenvolvimento de softwares na empresa do setor imobiliário. “Ela mudou radicalmente o jeito que fazemos softwares e foi onde notamos os maiores ganhos”, disse. Essa, porém, não é a única aplicação da tecnologia.
Internamente, executivos e colaboradores utilizam o assistente de dados Tars. A ideia foi criar um modelo capaz de auxiliar os processos de tomada de decisão, algo que deu tão certo a ponto de se tornar parte da cultura do QuintoAndar. Constantemente, a companhia promove treinamentos e hackathons em diversas áreas.
Pela plataforma, é possível consultar métricas oficiais em tempo real, com análises de tendências e diagnósticos a partir do cruzamento de dados. Externamente, diante de jornadas que envolvem múltiplos atores, a solução para criar uma IA conversacional e oferecer customização aos clientes foi dividir a jornada de atendimento, desenvolvendo agentes específicos para cada fase, com ampliações graduais.
As informações ficam divididas em um data lake interno e nas bases de conhecimento e skills de agentes voltados ao público. Constantemente, diversas áreas fazem curadorias para garantir a confiabilidade da IA. De acordo com o diretor do QuintoAndar, os agentes conversacionais da empresa já são capazes de executar ao menos 250 ações complexas. Recentemente, a companhia anunciou o investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia para os próximos dois anos, com o objetivo de se tornar uma organização AI-native.
Para o executivo, as companhias brasileiras estão mais confiantes e testando a tecnologia no contato direto com usuários finais. “Vejo uma nova virada, a interação entre empresas e consumidor pela IA está indo além de uma dinâmica de perguntas e respostas. Acredito que a tendência é evoluir, com os agentes atuando cada vez mais em contextos complexos”, apontou.
Para os próximos anos, o executivo acredita que os agentes serão altamente personalizados, capazes de acompanhar integralmente o ciclo de vida do cliente e de interagir com assistentes de outras companhias.
Imagem: Igor Gushiken, diretor de inovação e IA do QuintoAndar. QuintoAndar/divulgação.

