A migração para a inteligência artificial exige uma infraestrutura redesenhada, segundo especialistas que participaram de um painel do Roadshow Embrapii, realizado nesta terça-feira, 4, em Campinas/SP. Um dos pontos que precisam passar por mudança, segundo Gerson Freire, enterprise architect da Dell, é a estrutura de fornecimento de energia elétrica, que precisará ser dimensionada para atender à alta demanda das GPUs.
De acordo com Waldir Campos, head de operação da TERRANOVA, houve uma explosão no consumo de energia pelos racks. Atualmente, cada um precisa de algo em torno de 300 Kw. Campos e Freire avaliam que o mercado enfrenta o desafio de manter esses ambientes críticos em pleno funcionamento sem interrupções no fornecimento de energia ou falhas térmicas.
O executivo da Dell explicou que, no Brasil, o modelo de refrigeração mais comum é o a ar. No entanto, racks de alta densidade costumam utilizar refrigeração líquida, tecnologia que, segundo ele, tende a se tornar o padrão. Além disso, Freire considera necessário desenvolver redes especializadas para atender às demandas da IA, com altíssima capacidade de transmissão de dados (throughput) e latência mínima.
Além dos desafios de infraestrutura, há outro obstáculo: a mão de obra. Para Campos, a escassez de profissionais qualificados pode dificultar a expansão dos data centers na América Latina. Nesse contexto, parcerias com instituições de ensino locais podem ser uma alternativa, já que muitas instalações estão situadas em regiões do interior dos países.
“De forma geral, precisamos planejar a infraestrutura de IA como um projeto integrado, que deve entregar resultado”, afirmou Freire.

